PAN quer piscinas novas exteriores em Lisboa

Partido alerta para o facto de existir um único complexo com piscina exterior

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) vai debater na terça-feira uma recomendação do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), com vista à construção de um ou mais complexos de piscinas exteriores, acessíveis a todos.

Na recomendação, o PAN considera que, apesar de dispor de "diversos complexos de piscinas municipais, mas todos eles concessionados, e só um com piscina exterior (nos Olivais)", Lisboa "não tem piscinas exteriores municipais e economicamente acessíveis à maioria dos lisboetas e visitantes da cidade".

"O Complexo Desportivo Municipal dos Olivais fechou em 2006 por falta de manutenção, e foi posteriormente concessionado a uma cadeia de ginásios", aponta o partido, acrescentando que "as piscinas exteriores existentes em Lisboa pertencem a clubes, ginásios e hotéis privados, custando cada entrada de adulto um mínimo de 10 euros".

A par disto, o PAN vinca o facto de Lisboa não ter praia e o acesso às praias nas proximidades "nem sempre ser fácil ou barato".

"Assim, passar umas horas numa piscina, sozinho ou em família, não tem um custo acessível para a maioria dos lisboetas", refere.

O PAN propõe à AML que recomende à Câmara Municipal o início dos "procedimentos necessários para a construção de um ou mais complexos de piscinas municipais exteriores, acessíveis a todos", e que podiam estar abertos ao público por um "período alargado devido ao clima ameno" da região.

"Nadar, brincar, ler e apanhar banhos de sol à beira de uma piscina, sobretudo para crianças e adolescentes, é uma forma de diversão saudável e entretém, sendo também um centro de convívio entre as diferentes gerações", vinca a recomendação.

O partido observa, ainda, que "existem meios alternativos para manutenção de piscinas públicas que não implicam a utilização de químicos agressivos para o ambiente, nomeadamente as piscinas biológicas, que mantêm um aspeto visual natural, sendo a depuração da água executada com o recurso a espécies aquáticas nelas instaladas".

Na mesma reunião, os deputados municipais vão também apreciar uma recomendação do Bloco de Esquerda (BE), que pede um "amplo e participado debate público sobre as várias possibilidades de expansão da rede de metro de Lisboa", articulado com o Governo.

Os bloquistas têm em conta os anúncios feitos pela tutela, que "informou recentemente que durante o próximo ano serão realizados investimentos estruturais nas redes de transportes públicos, em particular no Metropolitano de Lisboa", lê-se na recomendação.

O BE aponta também que, segundo o Governo, "durante o ano de 2017 serão iniciados os procedimentos concursais para expansão das linhas do metro de Lisboa" e que "a administração dos Transportes de Lisboa admite que existem vários cenários desenhados, não existindo uma opção completamente fechada".

"Os órgãos do Município de Lisboa e os utentes dos serviços de transporte público de Lisboa não podem ficar à margem deste debate sobre obras estruturantes, impondo-se um amplo debate público sobre o mesmo", frisa o grupo municipal bloquista.

Ainda na terça-feira, os deputados municipais irão também pronunciar-se sobre uma recomendação do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), com vista à "instalação de pontos de recolha de rolhas de cortiça, designadamente junto a ecopontos, incorporando-os na rede de recolha seletiva".

O PEV pretende que o município promova também "a recolha de rolhas de cortiça junto de estabelecimentos de restauração, hotelaria, postos de higiene urbana e mercados municipais".

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