Painéis de azulejo da estação de Ovar restaurados

Os painéis de azulejo da estação de comboios de Ovar serão restaurados pela autarquia, pela Rede Ferroviária Nacional (REFER) e pela Universidade Católica, que querem assim preservar um património secular assinado por "grandes artistas" à entrada da cidade.

A intervenção será conduzida pelo Atelier de Conservação e Restauro em Azulejo (ACRA) da Divisão de Cultura da Câmara Municipal e abrange mais de 20 metros quadrados de painéis em cada fachada da estação, sendo que os mais danificados são os que defrontam para o Largo Serpa Pinto e estão expostos à poluição automóvel.

"São painéis de grande valor artístico e histórico porque foram pintados entre 1917 e 1919 por figuras muito conhecidas do azulejo, como Licínio Pinto e Francisco Pereira, que trabalhavam na fábrica Fonte Nova e se inspiraram nos cenários campestres das fotografias de Ricardo Ribeiro e António Ribeiro", descreveu à Lusa Isabel Ferreira, a técnica da ACRA que coordena a intervenção.

"Estão bastante danificados devido à sua exposição, não só porque são sujeitos às emissões do tráfego, mas também porque as pessoas lhes encostam motos, bicicletas, etc., pelo que agora apresentam muitas fissuras, compressões escuras, microrganismos, estragos no vidrado e uma série de outros problemas", explica essa responsável.

Na fachada da estação virada para a linha férrea, o cenário é menos preocupante. Os painéis da mesma época já daí foram retirados nos anos 70 devido ao seu mau estado e os que decoram o local atualmente datam apenas da década de 80, embora evidenciando o mesmo estilo artístico, em tons de branco e azul com apontamentos de amarelo.

"Esses azulejos são do Atelier Razamonte, de Gaia, e foram criados por Fernando Gonçalves a partir de paisagens da pintora vareira Beatriz Campos", conta Isabel Ferreira. "Como estão voltados para os comboios, estão sujeitos a menos poluição e menos movimento, pelo que não têm tantos estragos", observa.

Num caso ou no outro, as intervenções de restauro passarão sempre por tarefas como a limpeza mecânica, química e aquosa dos azulejos, consoante o tipo de sujidade evidenciada, e pela remoção dos ladrilhos quebrados para sua substituição. Prevê-se ainda a colagem e consolidação de parcelas e o preenchimento volumétrico e cromático de lacunas.

Susana Abrantes, do departamento de Comunicação e Imagem da REFER, acrescenta que o trabalho a desenvolver em Ovar também implicará trabalhos complementares de "conservação dos edifícios e beneficiação da envolvente, nomeadamente a inspeção às coberturas e pinturas, a renovação da sala de espera da estação, o tratamento das caixilharias, a revisão de sinalética e arranjos exteriores e de iluminação".

"As intervenções mencionadas visam preservar e salvaguardar o património e melhorar as condições dos utentes", garante a responsável da REFER.

Esse plano de trabalho completa-se depois com o que Isabel Ferreira descreve como "o contributo decisivo" do curso de Restauro da Escola de Artes da Universidade Católica do Porto. No âmbito das suas "Campanhas de Verão" voluntárias, esse estabelecimento de ensino destacará para o projeto 12 alunos na primeira etapa da intervenção, em julho, e seis para a fase de acabamentos finais, na primeira quinzena de setembro.

A essas entidades junta-se ainda a parceria da empresa DDL, com o fornecimento das argamassas a aplicar no restauro, e da CP - Comboios de Portugal, que fará o transporte gratuito dos estagiários da Católica do Porto - à semelhança do que acontece com os Serviços Sociais e Culturais dos Trabalhadores do município, que oferecem as refeições dos estudantes.

Para 2015 estão anunciados os mesmos procedimentos na estação de Esmoriz.

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