Organismo alerta para riscos do uso de 'drones'

Organismo que investiga acidentes aéreos alerta para riscos e diz que regulamentação está desadequada face às necessidades operacionais deste tipo de equipamentos.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) alertou hoje para os riscos na aviação do uso sem controlo das aeronaves não tripuladas, conhecidas por `drones".

"Os `drones" começam a ser uma realidade que necessita de enquadramento regulamentar e operacional. Recentemente foi reportado por pilotos a existência de `drones" na final [aproximação] da pista 03 de Lisboa, até uma altitude aproximada de 2.000 pés [cerca de 600 metros], sendo a dimensão do aparelho considerável e capaz de infligir sérios danos nas aeronaves", disse à agência Lusa o diretor deste organismo.

Álvaro Neves frisou que o GPIAA, como autoridade nacional de investigação e prevenção de incidentes/acidentes aéreos, "está atento e preocupado" com a "proliferação e a utilização destes aparelhos na atividade recreativa e comercial", e avisa que a atual regulamentação está desadequada face às necessidades operacionais deste tipo de equipamentos.

O responsável explicou que, originalmente, as aeronaves não tripuladas e remotamente pilotadas foram desenvolvidas para uso militar, mas, a indústria civil viu nestes equipamentos uma possibilidade de gerar imagens aéreas em alta definição a um custo reduzido, bem como outras potencialidades, nomeadamente no trabalho aéreo.

"Porém, todos estes `drones" voam de forma irregular sobre as nossas cabeças, bem como, em determinados momentos, entram em conflito com a aviação comercial, pondo em risco a sua operação. Uma vez que se multiplicam pequenos filmes na internet provando a existência destes aparelhos em território nacional, sem que haja qualquer restrição ao uso dos mesmos, urge também alterar o rumo da situação atual", defendeu Álvaro Neves.

O diretor do GPIAA acrescentou que estes equipamentos proliferam em muitos países, Portugal não é exceção, os quais são utilizados nas mais variadas atividades: entregar pizas, monitorização do trânsito, eventos sociais, segurança pública, agricultura, inspeções de infraestruturas, inspeções de linhas alta tensão ou investigação atmosférica.

Álvaro Neves referiu que a Comissão Europeia já encorajou a adoção de medidas para permitir a integração progressiva das aeronaves não tripuladas no espaço aéreo civil, a partir de 2016, respondendo ao apelo dos setores europeus da indústria transformadora e dos serviços para que se eliminem obstáculos à introdução de `drones" no mercado único europeu.

Contudo, o diretor do GPIAA apelou primeiro à realização de um estudo alargado a todos os intervenientes na atividade comercial, que deve ser acompanhado de um debate público sobre as medidas que abordem preocupações sociais, como a segurança, a proteção e a privacidade dos dados, a responsabilidade civil e os seguros ou garantias.

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