Ordem da Liberdade para o ex-Presidente: uma "tradição" criada por Sampaio

O Grande Colar é o mais elevado grau das Ordens Honoríficas e é quase exclusivamente atribuído aos chefes de Estado

O ex-Presidente da República Cavaco Silva foi hoje condecorado pelo seu sucessor no cargo com o Grande Colar da Ordem da Liberdade, seguindo uma 'tradição' iniciada em 1996 pelo então chefe de Estado Jorge Sampaio.

Numa breve cerimónia sem discursos, no Palácio da Ajuda, Marcelo Rebelo de Sousa impôs as insígnias a Cavaco Silva, que abandonou hoje a chefia do Estado, ao fim de dez anos na Presidência da República.

A Ordem da Liberdade destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação da Pessoa Humana e à causa da Liberdade.

O Grande-Colar da Ordem da Liberdade é o mais alto grau da Ordem e é concedido pelo Presidente da República a Chefes de Estado estrangeiros. Pode ainda ser concedido a antigos Chefes de Estado e a pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção.

A Lei das Ordens Honoríficas estipula que os Presidentes da República que concluírem os seus mandatos recebem o Grande Colar da Ordem Militar da Torre e Espada. Tal aconteceu com todos os anteriores chefes de Estado eleitos em democracia.

Contudo, ao tomar posse como Presidente da República, em 1996, Jorge Sampaio decidiu também atribuir ao seu antecessor, Mário Soares, o Grande Colar da Ordem da Liberdade.

Gesto que Cavaco Silva repetiu quando chegou a Belém, condecorando Jorge Sampaio também com o Grande Colar da Ordem da Liberdade.

Ramalho Eanes recebeu a mesma insígnia há poucos meses, já atribuída por Cavaco Silva, já que Jorge Sampaio em 2004 apenas o tinha condecorado com o grau de Grã-Cruz, inferior ao Grande Colar.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.