Defesa de Rangel quer mais acesso ao processo antes de decidir se fala

Advogado do juiz quer ter acesso a mais elementos do processo da Operação Lex, alegando que só sabe o que é noticiado na comunicação social

A defesa do juiz desembargador Rui Rangel, arguido na 'Operação Lex', pediu hoje para ter acesso a mais elementos do processo para depois decidir se vai falar no interrogatório.

"Suscitámos um conjunto de questões procedimentais que tem a ver com acesso de documentos e prazos", disse aos jornalistas João Nabais, advogado de Rui Rangel, antes de entrar hoje à tarde para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

O advogado adiantou que Rui Rangel ainda não começou a ser interrogado pelo juiz conselheiro Pires da Graça e pelo procurador Paulo Sousa, tendo estado, na manhã de hoje, a consultar "o acervo indiciário".

João Nabais sublinhou que "os indícios estão suportados em elementos de prova que são vastíssimos", por isso a defesa do juiz desembargador quer ter "o máximo acesso a esses elementos".

A defesa de Rui Rangel afirmou que hoje à tarde vai saber se tem ou não prazo suficiente para consultar esses elementos e só depois vai decidir se vai falar no interrogatório.

João Nabais disse também que não faz sentido prestar declarações quando não se sabe "o que há contra" Rui Rangel, tendo apenas conhecimento "até agora" com o que é noticiada na comunicação social.

"Não vai prestar declarações se não se tem um mínimo de conhecimento do que existe contra si", disse, avançando que o arguido pode não se pronunciar agora, mas depois tem todo o inquérito para o fazer.

"Tudo isto é terreno novo. Não é normal haver inquéritos e instrução no Supremo", afirmou João Nabais, afirmando ainda que as defesas da juíza desembargadora Fátima Galante, também arguida nesta operação, e de Rui Rangel estão concertadas.

Fátima Galante será ouvida no Supremo Tribunal de Justiça após terminar o interrogatório a Rui Rangel.

Os dois juízes desembargadores no Tribunal da Relação de Lisboa estão indiciados por corrupção/recebimento indevido de vantagens, branqueamento, tráfico de influência e fraude fiscal.

Além de Rui Rangel e de Fátima Galante, a 'Operação Lex' tem pelo menos outros dez arguidos, entre os quais o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o vice-presidente do clube Fernando Tavares e o ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol João Rodrigues.

Cinco dos arguidos que se encontravam detidos já foram ouvidos no Supremo Tribunal de Justiça, tendo saído todos em liberdade, e um deles pagou uma caução de 25.000 euros.

Na operação, desencadeada a 30 de janeiro, foram realizadas 33 buscas, das quais 20 domiciliárias, nomeadamente ao Sport Lisboa e Benfica, às casas de Luís Filipe Vieira e dos dois juízes e a três escritórios de advogados.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)