Cristas adverte: há "austeridade encapotada"

Apesar do balanço positivo das contas, a presidente refere que "o que não se pode dizer é que está tudo bem", porque "não está tudo bem"

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu hoje que é positivo haver "contas controladas", mas reiterou que há "austeridade encapotada" na forma como o Governo atinge um défice que o primeiro-ministro anunciou será abaixo de 1,3%.

"Não é ao acaso que se atingem esses números. Há por um lado um esforço fiscal significativo, com um incremento dos impostos indiretos e com uma carga fiscal que não desceu sobre os portugueses, e, por outro lado, há corte nos serviços públicos com uma degradação evidente da qualidade", defendeu Assunção Cristas.

Apesar de ressalvar que "contas controladas é um aspeto positivo", a líder centrista reafirmou preocupação com o que qualifica de "austeridade encapotada".

Isso preocupa-nos e preocupa-nos, sobretudo, que o Governo queira fazer o discurso de que tudo vai bem, de que tudo está muito bem, quando presenciamos e ouvimos os relatos de muitas áreas onde tudo não está bem

Assunção Cristas defendeu que "o défice é relevante, cumprir os objetivos que se estabelecem junto de Bruxelas é relevante, mas também é relevante saber como é que se atingem esses objetivos".

"O que não se pode dizer é que está tudo bem, não está tudo bem, há muita austeridade encapotada", insistiu, saudando a aprovação no parlamento, na quarta-feira, de projetos de lei para o Governo prestar informação mensal sobre cativações.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou na quarta-feira, perante o Presidente da República, que o défice de 2017 será inferior a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo da meta de 1,4% estabelecida pelo Governo.

"Tivemos no ano passado o menor défice da nossa democracia, e este ano vamos ter um défice que hoje já podemos dizer, sem criar arrepios ao senhor ministro das Finanças, que será inferior a 1,3%", declarou o primeiro-ministro.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje que o défice orçamental das Administrações Públicas fixou-se em 393,9 milhões de euros até setembro, ou seja, 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

O valor divulgado hoje pelo INE é igual à estimativa que a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) tinha apresentado para os nove meses do ano.

Mas, na altura, os especialistas alertaram para o impacto de medidas que avançaram apenas no quarto trimestre - como o pagamento de metade dos duodécimos dos funcionários públicos e o fim da sobretaxa de IRS nos últimos escalões - que podem aproximar o valor anual do défice da meta do Governo.

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