"Ocasião faz o ladrão" e há mais roubos

Os comerciantes queixam-se de quem entra nas lojas para roubar, aquilo a que as autoridades chamam de "furto de oportunidade, casos que aumentaram em 2012, conclui a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Mas muitos lojistas não metem "trancas à porta".

Este é o 5.º Barómetro que resulta da colaboração da APAV/Intercampus, "Vitimação de Estabelecimentos Comerciais", e que será apresentado esta tarde na sede da associação. Inquiriram 105 comerciantes de lojas de rua de Lisboa e 45,8% dos estabelecimentos foram vítimas de crime, na maioria furtos mas também injúrias e atos de vandalismo, revelam as conclusões a que o DN teve acesso.

Estamos a falar de três tipos de estabelecimentos: alimentar, não alimentar e restauração e bebidas. Em 47% dos casos registaram um aumento daquele tipo de criminalidade, tantos como os que dizem que se manteve igual a anos anteriores. E 9% referem que diminuiu. Ou seja, cada vez mais "a ocasião faz o ladrão".

"As conclusões do inquérito confirmam os dados do Relatório Anual de Segurança Interna e que indicam que não há um aumento exponencial da criminalidade, mas há um ligeiro aumento do crime de oportunidade", sublinha Daniel Cotrim.

É também aquela a informação obtida pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal junto dos sócios. "A nossa perceção é que tem havido mudanças no tipo de artigos roubados. Antigamente, era o furto do produto caro e, nos dois últimos anos, é o produto mais barato que é roubado. Estas situações têm vindo a aumentar", diz Ana Vieira, secretária-geral.

Outra conclusão é que os comerciantes "encaram estes roubos como fazendo parte do negócio e não reforçam a segurança", sublinha Daniel Cotrim, técnico da APAV

Os lojistas da Baixa lisboeta revelam que as situações são pontuais e que o melhor método é estar em alerta máximo, isto sem falar na instalação de alarmes. Acrescentam que são raros os roubos fora do horário de abertura.

Ana Vieira, secretária-geral da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, justifica que, "quem tem meios para o fazer, reforça as medidas de segurança". Mas na generalidade dos casos, "acabam por equacionar as duas realidades e decidir não reforçar os mecanismos de segurança já que exige investimentos elevados".

Anabela Rosa e Jorge Mateus, da Buda, roupa de cerimónia para mulher, lembram-se de quem tenha tentado meter um vestido de toilette numa mala a tiracolo. "Temos as peças todas com alarme e tem que haver muita atenção sobretudo quando há mais clientes", refere Anabela. Agora têm menos furtos , o que também se deve à diminuição da freguesia. Paulo Martinho, da Clavis 2000, roupa de homem, não tem "dado por muitos roubos". Um dos de maior monta foi quando levaram dois pulôveres.

António Abreu, um dos sócios da loja de artesanato português, Madeira House, contratou um segurança vai fazer dez anos, quando os roubos representavam já 3% do volume de vendas. "Chegavam a tirar toalhas, t-shirts, peças grandes, hoje em dia essas situações são residuais. Há aquele artigo que o cliente tenta levar, objetos pequenos, mas não tem nada a ver com o que acontecia antes", conta.

Mantém com a irmã o negócio de família iniciado em 1945 na baixa lisboeta e é um exemplo raro no reforço das medidas para impedir o chamado "furto de oportunidade". Explica que o segurança tem sobretudo a função de desincentivar os "profissionais de roubos de lojas" e, também, os carteiristas que diz conhecerem bem. E aconselha outros a fazerem o mesmo, já que apenas vê este seguranças nas grandes cadeias.

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