O que o partido quer saber agora é quem é alternativa a Costa

Rui Rio e Santana Lopes entram na reta final da campanha para a sucessão de Passos. Ainda faltam dois debates e militantes querem ouvir propostas para o país. O DN ouviu Paulo Rangel, José Eduardo Martins e Duarte Marques

A menos de uma semana das eleições diretas no PSD, os dois candidatos à liderança do partido já convenceram e mobilizaram todo o eleitorado militante social-democrata? O debate na RTP, que foi centrado no passado e em críticas pessoais, é o que partido espera ouvir nos últimos dias de campanha de Rui Rio e Pedro Santana Lopes? "Só espero que os candidatos percebam que mal ou bem os militantes do PSD já têm o voto decidido e os que ainda estão indecisos estão verdadeiramente preocupados com a falta de alternativa ao governo do PS", adverte o social-democrata José Eduardo Martins.

O ex-cabeça-de-lista do PSD à Assembleia Municipal de Lisboa diz ao DN esperar que, na semana que falta de campanha para a presidência do partido - em eleições que se realizam a 13 de janeiro -, os candidatos tragam a disputa do PSD para a praça pública. "Queremos ver os projetos que têm para ser primeiros-ministros de Portugal. Nem um nem o outro se preocuparam em demonstrar isso", diz José Eduardo Martins, num registo muito crítico relativamente ao primeiro embate dos dois na RTP na semana passada.

"Credibilizar o partido"

Agora, reforça, "é menos o campeonato de ganhar votos dentro do PSD, mas o de credibilizar o partido. Ainda não os vi, nem a Santana nem a Rio, fazer nada para construir essa credibilidade". E continua: "Não conseguiram demonstrar que são credíveis; que imagem querem de Portugal daqui a uma década; que país ambicionam deixar se conseguirem formar governo".

José Eduardo Martins, que não apoiou nenhum dos candidatos à liderança, considera que nenhum dos indecisos que haja no partido se terá sentido "confortável" com o confronto entre Rui Rio e Santana Lopes. "Eu ando preocupado porque fui a votos [em Lisboa] e tive 15%. O PSD tem de sair desta armadilha, tem de significar muito mais do que 15% dos eleitores", afirma. "O PSD é um partido de governo. Não quero que isto se repita."

Paulo Rangel, que foi um dos potenciais candidatos à liderança do PSD, mas que decidiu não avançar nestas diretas, também tem a mesma opinião de que, nesta reta final da campanha, os candidatos à sucessão de Passos Coelho devem dar a conhecer a sua estratégia política para serem alternativa ao PS. "É importante que os candidatos passem essa mensagem", diz ao DN.

Falar sobre o país

O eurodeputado social-democrata entende que os militantes internamente já sabem como cada um dos candidatos vê e quer organizar o partido. "Mas a reta final devia ser mais dedicada ao confronto externo. Que propostas têm para o país e como o PSD poderá ser alternativa ganhadora à política socialista."

Paulo Rangel sublinha que numa campanha longa de três meses era impossível manter a vivacidade, mas neste momento, em que os holofotes da comunicação social se viram para os dois candidatos, "é crucial que Santana e Rio se concentrem na estratégia para o país".

O deputado social-democrata Duarte Marques também insiste na tecla de uma mensagem para o país nestes últimos dias em que Rio e Santana correm para a liderança do PSD. "Têm de mostrar quem é mais capaz de demonstrar as falsidades e as meias verdades de António Costa e apresentar-se como alternativa à geringonça."

Dois debates ainda

O antigo líder da JSD defende que nesta altura a maioria dos militantes já sabe como vai votar, mas um bom debate - há mais dois, um na TVI a 10 de janeiro e outro na TSF/Antena 1 no dia 11 - e uma campanha virada para as propostas pode levar mais pessoas a votar. "Pode haver ainda pessoas indecisas e que nem iam votar e que se forem mobilizadas poderão ir."

Esta última semana da campanha de Rui Rio e Santana Lopes vai ser muito concentrada a norte, onde o partido tem mais militantes. É precisamente no contacto com os militantes e em jantares, em vários pontos do país, que os dois vão apostar.

A semana será ainda muito marcada pelos dois debates, em que os candidatos vão novamente enfrentar-se mesmo na reta final da corrida à presidência do partido. Resta saber se será o passado ou o futuro que irão a dominar os novos confrontos entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio.

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Rosália Amorim

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