O novo Instituto Sá Carneiro: dos desafios para o país à homenagem a Cavaco Silva

O novo presidente do instituto, Pedro Reis, vai criar os Encontros Sá Carneiro para debater os temas mais importantes para o futuro da nação e homenagear grandes figuras do país e do partido, como o ex-presidente da República

O Instituto Sá Carneiro tem um novo líder, mas também uma nova vida. O organismo do universo PSD - liderado desde segunda-feira pelo economista Pedro Reis - quer impor-se como um importante think tank no PSD (e na política portuguesa) que irá explorar quatro grandes áreas temáticas: economia (macro), finanças, políticas sociais e o sistema político.

O novo presidente do Instituto Sá Carneiro (ISC) pretende "sensibilizar e trazer pensamento de independentes para dentro do Sá Carneiro, que o partido, e o país, utilizará como entender". Pedro Reis diz que "é importante lançar temas para a mesa" quer estejam ou não de acordo com os "ditames ideológicos do PSD", porque o importante é "qualificar a discussão cívica" e responder a uma questão fundamental: "Onde é que nós queremos chegar como país?"

Foram definidos quatro temas que vão guiar a ação dos debates e conferências organizados pelo novo Sá Carneiro, sob a forma de questões: "Como é que pomos a economia a crescer?"; "Como tornamos o Estado em termos de finanças públicas sustentável?"; "Que recursos queremos atribuir às políticas sociais?"; "Como reformar o sistema político eleitoral?"

Na questão mais macroeconómica, explica Pedro Reis, o objetivo é dar "prioridade máxima" à ideia de "Portugal como país exportador". O novo presidente do ISC considera que "além de captar investimento" para as empresas que necessitam, há outras que apenas precisam de "menos burocracia, mais agilidade fiscal, menos IRC". Isto, claro, sem ignorar por completo o mercado interno.

Já a nível das finanças públicas o aspeto a explorar no think tank é explorar um Estado "menos dependente", menos "viciado em impostos", sem esquecer a necessidade de uma reforma da Segurança Social.

Quanto às políticas sociais, a questão, no entender de Pedro Reis, não está "que saúde pública ou escola pública queremos ter, que é sempre a máxima possível, mas sim que parte da riqueza do país queremos alocar às políticas sociais."

Por último, o quarto desafio é como reformar o sistema político de modo a que "as pessoas voltem a acreditar e a rever-se na sua classe política".

Para materializar o debate em torno destes temas, Pedro Reis pretende iniciar os chamados Encontros Sá Carneiro. O presidente do instituto explica que estes devem ser "encontros limitados de gente para serem úteis e densos" na discussão destes temas prioritários.

Todas estas temáticas vão depois dar origem a uma já prevista "conferência Sá Carneiro, que não pode ser com menos de 18 meses ou 24 meses trabalho feito". Isto num mandato que terá três anos: vai até julho de 2019.

Questionado sobre se contaria com líderes históricos do partido como Pinto Balsemão ou Cavaco Silva, Pedro Reis adianta que "é gente com uma história, um percurso, uma densidade, uma dimensão que o Instituto Sá Carneiro deve aproveitar ao máximo".

Pedro Reis diz mesmo: "Quem me dera poder contar com o contributo do professor Cavaco Silva ou do doutor Balsemão ou de muitos nessa linha. Têm a porta aberta e o convite endereçado através do DN."

Pedro Reis não fica por aqui, já que "um dos tipos de eventos que admito fazer é justamente homenagens as pessoas muito vastas, posso ir buscar até um cientista". Mas também políticos.

Ora, nessa linha, continua o presidente do instituto, "não me arrepia que, antes pelo contrário, se viermos a montar esse programa de pessoas que nós queremos homenagear através de uma sessão, o professor Cavaco Silva seja um candidato natural a isso".

Quanto ao financiamento do ISC, Pedro Reis admite parcerias com outros organismos similares e diz já estar em "conversações com a Fundação Konrad Adenauer". Sobre a hipótese de donativos de bancos ou empresas, Pedro Reis não nega essa possibilidade, mas adverte que "não é fácil no Portugal 2016 fazer o funding de institutos como o Sá Carneiro".

Na parte mais doutrinária e de debate ideológico, o PSD tem ainda um gabinete de estudos (presidido por Pedro Lomba e que é responsável pelos programas eleitorais) e um conselho estratégico (presidido por José Matos Correia, que é um órgão de aconselhamento do líder).

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