O museu abriu só para Marcelo, que virou a página de Cavaco

Candidato disse que, até 9 de março, quaisquer considerações sobre o relacionamento com governo socialista serão "prematuras"

São quase honras de chefe de Estado. O museu de Foz Côa - que fecha às segundas-feiras - abriu esta manhã só para receber Marcelo Rebelo de Sousa, que disse ser "prematuro" comentar o relacionamento com António Costa caso seja Presidente.

Marcelo assinou o livro de visitas do museu, num ato cheio de simbolismo. O último a assinar o livro - na página imediatamente antes - foi o atual Presidente da República, Cavaco Silva, e logo no dia de aniversário de Marcelo: 12 de dezembro. "Um bom sinal? Um bom augúrio?". Marcelo sorriu.

O candidato presidencial escreveu que "a utopia comanda a vida e vence o ceticismo apresentado como realismo." O ex-presidente do PSD explicou depois que "se não tivesse sido a utopia, não tinha existido este museu, nem esta arte."

Questionado sobre se foi essa utopia que permitiu o Governo de Costa, Marcelo recusou o paralelismo. E despiu a pose de pré-Presidente para dizer: "Até 9 de março, quaisquer que sejam as considerações sobre o relacionamento do Presidente com o governo são prematuras".

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?