Nuno Melo não é candidato à liderança do CDS/PP e apoia Assunção Cristas

Eurodeputado diz que sempre cumpriu mandatos e que líder do CDS tem de estar no Parlamento para debater com o primeiro-ministro

O centrista Nuno Melo não vai avançar para a corrida à liderança do CDS-PP. O DN sabe que o eurodeputado decidiu não apresentar a candidatura, deixando o caminho livre para Assunção Cristas.

Nuno Melo tinha dito ontem, em entrevista à RTP, que a decisão seria comunicada depois de uma conversa com Assunção Cristas, a ministra da Agricultura do anterior governo de coligação entre PSD e CDS.

"As minhas circunstâncias", explicou Nuno Melo em conferência de imprensa na sede do partido, para não concorrer à liderança do CDS são o facto de ser eurodeputado e de, para assumir o mandato na Assembleia da República, terem de abdicar os candidatos do partido por Braga que estavam à sua frente na lista.

"Poderia ser deputado desde que todos os deputados por Braga renunciassem. Só que esses são os seus mandatos, não os meus", disse Nuno Melo. "Não tenho como, não posso, não devo" exercer "o mandato de terceiros", mesmo que sejam "ao serviço do CDS", justificou.

Acresce, lembrou Nuno Melo, que criticou o então presidente do CDS José Ribeiro e Castro por ter continuado a exercer o mandato de eurodeputado. Essa situação "era inconveniente por motivos que substantivamente se repetem: o líder do partido tem que debater com o primeiro-ministro quando há debates no Parlamento" que "é o centro da vida política nacional. Afirmei-o, hoje sou eurodeputado e mantenho" a palavra, frisou.

"Desiludirei muita gente que gostaria que me apresentasse" no Congresso de março como candidato à sucessão de Paulo Portas, continuou Nuno Melo, "mas se [a desistência] for o custo que tiver de pagar para garantir que o CDS não se balcanizará, se puder ser um fator de unidade e coesão que dê mais força" ao partido para enfrentar os desafios futuros, é essa a decisão "tomada sem constrangimentos".

"A avaliação das minhas circunstâncias, independentemente da vontade" de concorrer à liderança, "mostram que há pessoas melhor preparadas para serem candidatos", referiu Nuno Melo.

É o caso de Assunção Cristas: "Sendo mulher, marcará uma diferença em relação à liderança de Paulo Portas, que eu nunca conseguiria e o CDS precisa que essa diferença seja assinalada quando" o ainda líder sai, assumiu Nuno Melo, acrescentando que o partido "não será portismo sem Portas e o pior exemplo seria imitar os [seus] gestos ou o trajeto".

"Nunca a tive como uma adversária, tenho-a por aquilo que é, uma excelente ministra, conhecida pelo seu trabalho e apreciada no país", observou Nuno Melo, observando ainda que Assunção Cristas "é apreciada pela Comunicação Social", o que lhe dará "um estado de graça de que eu dificilmente beneficiaria se fosse candidato".

Assim, se a ex-ministra "tiver vontade" de concorrer à chefia do CDS e "se manifestar, terá o meu apoio", garantiu o eurodeputado. "Conheço profundamente o CDS. Acontece que, para lá da minha vontade, tenho de ter a capacidade de ler as minhas circunstâncias", insistiu Nuno Melo

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