Nuno Melo deve avançar hoje para a liderança do partido

Eurodeputado não terá resistido a pressões do partido e à sua própria reflexão de que este é o momento de avançar. Resta saber se enfrentará ou não Assunção Cristas

Nuno Melo vai mesmo avançar para a liderança do CDS-PP. O anúncio pode ser feito hoje pelo eurodeputado, que decidiu concorrer à presidência do partido depois de várias pressões e de ponderar questões familiares.

O DN apurou junto de fontes próximas do vice-presidente do CDS que Nuno Melo - que o DN tentou contactar mas sem êxito - decidir avançar por considerar ser uma "oportunidade única" e porque foi "sensível aos vários apoios e pressões que sofreu de vários quadrantes do partido".

Além disso, explica a mesma fonte, "se não for agora, pode passar o momento. E é agora que o partido precisa dele, não é noutro momento qualquer".

Nuno Melo ponderou não avançar por razões familiares (por ficar com menos tempo para a família, embora tenha a vantagem de estar em Portugal e não na Bélgica) e por entender que tinha objetivos a atingir como eurodeputado.

Já Assunção Cristas não quis esclarecer, na segunda-feira, em declarações ao DN, se era candidata à substituição de Paulo Portas. "Há um tempo para tudo. E este ainda não é o momento de falar sobre isso". Foi assim que a vice-presidente do CDS-PP respondeu, entre sorrisos, à pergunta que o DN lhe fez, na segunda feira à tarde, numa escola de Pombal.

As primeiras informações veiculadas pela direção do CDS-PP eram de que da atual liderança só sairia um único candidato. Ou seja: se Nuno Melo avançasse, Assunção Cristas não avançaria. E vice-versa. Porém, no último domingo, Marques Mendes avançou com a hipótese - no comentário semanal na SIC - de Assunção Cristas poder avançar contra Nuno Melo.

A ideia é que Paulo Portas, que preferirá Assunção Cristas, terá optado por uma posição mais imparcial de deixar que seja o partido a decidir quem prefere.

No dia 6 deste mês, Nuno Melo, em declarações ao DN, disse que a decisão seria tomada nesta semana porque na próxima já seria demasiado em cima das presidenciais, pelo que tudo indica que o fará hoje.

Saída certa de Bruxelas

Certo é que o avanço para a liderança do partido significará a saída definitiva de Bruxelas. Os eurodeputados não têm suspensão e a única experiência de ter um líder em Bruxelas (aconteceu com José Ribeiro e Castro) não correu bem. Ao que tudo indica, Nuno Melo será substituído por Ana Clara Birrento, que foi nomeada em julho de 2015 pelo então ministro Pedro Mota Soares, presidente do Instituto da Segurança Social. Quanto ao handicap de não estar no Parlamento, esse pode ser resolvido. Nuno Melo era o último suplente da lista da coligação PSD-CDS por Braga. Basta que um dos efetivos (Telmo Correia ou Vânia Dias da Silva) e as duas centristas que se seguem na lista abdiquem e Nuno Melo poderá ser deputado. É tecnicamente possível e assim poderia fazer oposição no Parlamento.

Nuno Melo já teve o apoio declarado de dirigentes do partido como Filipe Lobo d"Ávila.

No último conselho nacional foi agendado o Congresso do CDS (que será eletivo e decidirá a eleição do sucessor de Paulo Portas), que ocorrerá nos dias 12 e 13 de março. O prazo para a entrega de moções termina no dia 26 de fevereiro.

Mesmo quem não é candidato a líder pode apresentar uma moção de estratégia global. Já há dois dirigentes do CDS - que chegaram a estar nas cogitações para líder - que anunciaram que vão apresentar moções em março: os ex-secretários de Estado João Almeida e Adolfo Mesquita Nunes.

O líder do Movimento Alternativa e Responsabilidade, Filipe Anacoreta Correia, também já tinha admitido ao DN que esta corrente - que foi sempre de oposição interna a Portas - irá apresentar uma moção. Quanto a uma candidatura à liderança, ainda não está decidido.

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