"Nunca é tarde para pôr para fora o que temos cá dentro"

Luísa Martins, empregada de café é a madrinha do almoço de Natal do Intendente. Um metro e meio de genica e determinação que não falha um dia das aulas de alfabetização e informática. A vida dela divide-se pelo balcão do Largo Café e o fogão da Cozinha Popular da Mouraria e mudou tanto como a própria vida do bairro onde mora há 25 anos.

Vinte quilos de feijão, 30 de porco e enchidos, mais dez de arroz, uma montanha de comida distribuída por três panelões não chega para dar o tamanho do coração de Luísa, Luisinha, Tia Lu. De microfone na mão, do alto do seu metro e cinquenta, ela faz jus à sua condição de madrinha do evento: "Boa tarde! Boas Festas! Bem-vindos todos ao almoço de Natal do Intendente!"

As fileiras de mesas estendidas pelo largo enchem-se de gente num abrir e fechar de olhos, os convivas são quem aqui vive, passa, trabalha, às vezes só sobrevive. Hão de ser servidas cento e muitas refeições e distribuídas outras tantas, entre conversa, música, alguns reencontros. O bairro - as organizações formais e informais, as pessoas habitantes e simpatizantes - contribuiu com donativos, patrocínios e cadeiras, a Luísa organizou e cozinhou (com a equipa da Cozinha Popular da Mouraria e do Largo Café) e, pelo terceiro ano consecutivo, a tradição cumpriu-se no Largo, no domingo que precede o Natal.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

O Mourinho dos Mourinhos

"Neste país todos querem ser Camões mas ninguém quer ser zarolho", a frase é do Raul Solnado e vem a propósito do despedimento de José Mourinho. Durante os anos de glória todos queriam ser o Mourinho de qualquer coisa, numa busca rápida encontro o "Mourinho da dança", o "Mourinho da política", o "Mourinho da ciência" e até o "Mourinho do curling". Os líderes queriam ter a sua assertividade, os homens a sexyness grisalha e muitas mulheres queriam ter o Mourinho mesmo.