Número de turistas em Portugal é maior do que o de habitantes

Este ano deve terminar com cerca de onze milhões de visitantes estrangeiros. Eles gostam dos monumentos, do sol, da comida...

"No Castelo ponho um cotovelo. Em Alfama descanso o olhar. E assim desfaz-se o novelo de azul e mar. À Ribeira encosto a cabeça. Almofada na cama do Tejo com lençóis bordados à pressa na cambraia de um beijo." É Lisboa Menina e Moça cantada por Carlos do Carmo, a cidade portuguesa mais procurada pelos turistas. Se falarmos em regiões, o bailinho da Madeira e o corridinho do Algarve continuam a chamar mais visitantes, com o Centro e o Norte a crescerem. Portugal recebeu 7,5 milhões de estrangeiros até 30 de setembro e, mantendo-se o crescimento em relação 2013, espera-se que pela primeira vez os turistas ultrapassem o número de residentes no país, com perto de onze milhões de visitantes. Em nove meses, o número de hóspedes estrangeiros em Portugal foi mais elevado do que o total de 2011 e quase tantos como em 2012. Este ano, o Turismo de Portugal registou quatro meses com mais de um milhão de turistas mensais (maio, julho, abril e setembro), o que resultou em três vezes mais dormidas. No ano passado apenas o mês de agosto ultrapassou o milhão. Falta o último trimestre de 2014, mas são muito positivas as primeiras indicações para outubro e novembro.

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"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.