Novo 'ranking' escolar combina aprovações e exames nacionais

Ministério da Educação apresenta indicador da qualidade das escolas que compara alunos que partiram do mesmo nível de resultados e cruza elementos da avaliação interna e da externa

Quando se valorizam apenas os resultados das avaliações externas, como os exames nacionais, algumas escolas ou professores podem ter a tentação de reter alunos com mais dificuldades para ficarem melhor na fotografia. Por outro lado, quando se consideram apenas os resultados internos dos alunos, podem surgir suspeitas de que determinados estabelecimentos e docentes serão mais "generosos" do que outros, precisamente com os mesmos objetivos.

Foi tendo presentes estas limitações que a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) desenvolveu um novo indicador - chamado "percursos diretos de sucesso" - que pretende aproveitar as informações relevantes que se podem obter, tanto dos resultados internos como externos dos alunos, evitando as armadilhas que também podem resultar desses dados.

: "Este indicador introduz justiça e complementaridade", defendeu aos jornalistas o secretário de Estado da Educação, João Costa, na apresentação da ferramenta, que passará a constar do portal Infoescolas. Ao gerarem-se listas de escolas com base neste dado, acrescentou, "a mancha é completamente diferente e muito mais variada" do que acontece quando se geram rankings com base nos exames nacionais, sistematicamente dominados por estabelecimentos privados.

Outra novidade do indicador é que, em vez de comparar a totalidade dos alunos de uma escola com a totalidade dos alunos de outra, põe frente a frente os dados de estudantes com características semelhantes, valorizando depois a sua evolução. Por exemplo: alunos que, a nível nacional, tinham uma classificação média de 10 valores em determinado momento. O ponto de partida da comparação são os resultados das provas do 9.º ano, sendo depois considerado o percurso dos estudantes (sem retenções) ao longo de dois ou três anos.

"Este indicador não premeia a retenção e ao mesmo tempo não premeia a seleção de alunos, porque estamos a comparar alunos comparáveis", defendeu João Costa, para o qual os resultados dizem mais sobre a qualidade de ensino de determinado estabelecimento do que uma simples lista elaborada com base nos resultados absolutos: "Uma escola que recebe alunos de nível dez e os leva a 17 é uma escola muito melhor do que uma que recebe alunos de 15 e os leva a 17", ilustrou.

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?