Nove por cento das crianças nascidas em Portugal em 2016 são de mulheres estrangeiras

Este dado contribui para o abrandamento do envelhecimento demográfico em Portugal, adianta o relatório do Observatório das Migrações

As mulheres de nacionalidade estrangeira foram responsáveis em 2016 por cerca de 9% do total dos nados-vivos em Portugal, continuando os imigrantes a incrementar o volume de nascimentos no país, segundo um relatório estatístico hoje divulgado.

Este dado, adianta o relatório do Observatório das Migrações, contribui para o abrandamento do envelhecimento demográfico em Portugal.

O relatório estatístico anual de 2017 sobre indicadores de integração de imigrantes refere que esta percentagem é particularmente significativa face ao facto de que a população estrangeira apenas representava 3,9% do total da população residente em Portugal em 2016.

Em 2017, nasceram com vida 86.154 crianças de mães residentes em Portugal, menos 972 crianças relativamente ao ano anterior, o que representa um decréscimo de 1,1%

Quando os resultados da taxa de natalidade feminina para o ano de 2016 são comparados, acrescenta o documento, conclui-se que as mulheres de nacionalidade estrangeira têm uma taxa superior (37,5) à das mulheres portuguesas (14,6), com efeitos positivos para o reforço do grupo etário mais jovem da estrutura etária.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, divulgados em abril deste ano, indicavam que a população em Portugal diminuiu em 2017 pelo nono ano consecutivo.

Segundo as "Estatísticas Vitais", do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal teve um saldo natural negativo de 23.432 pessoas.

Em 2017, nasceram com vida 86.154 crianças de mães residentes em Portugal, menos 972 crianças relativamente ao ano anterior, o que representa um decréscimo de 1,1%.

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