Noite de concertos. Marcelo já conquistou os artistas e as crianças

Mariza cantou o hino. José Cid, Pedro Abrunhosa ou Anselmo Ralph chegaram depois. A noite acabou com o Presidente a trautear A Última Mulher na plateia e, no palco, a agradecer com todos os artistas

As vozes que mais se ouviam ontem à noite na Praça do Município eram as de 300 crianças que gritavam "Marcelo! Marcelo!" O Presidente surgia depois na varanda da Câmara Municipal de Lisboa onde, há 105 anos, foi proclamada a República Portuguesa. Acenou energicamente e só parou à entrada da fadista Mariza que, acompanhada de guitarras e percussão, cantou o hino nacional.

Era a sexta vez que ontem se escutava A Portuguesa durante a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, que parecia entoá-la também. Acompanhado do autarca de Lisboa Fernando Medina, o Presidente juntou-se depois à plateia composta por crianças de escolas de Lisboa convidadas que saltavam à sua volta, pedindo autógrafos e chamando, novamente, "Marcelo".

O 20.º Presidente da República pôs a boina na cabeça, a manta ao colo - traço geral da plateia composta ainda por vereadores da Câmara e figuras como o ex-autarca de Sintra, Fernando Seara - e sentou-se a assistir ao concerto que marcou o último ponto do seu primeiro dia como Chefe de Estado. Mariza que, "honrada", afirmou ao DN achar "fantástico perceber que há um Presidente que queira começar ouvindo os artistas que tem na sua casa", cantou ainda Gente da Minha Terra, descendo à plateia para cumprimentar Marcelo.

Seguiu-se Paulo de Carvalho, com a canção que anunciou o 25 de abril, E Depois do Adeus. Antes, o músico vaticinou que o novo Presidente "terá certamente vontade de moralizar um país que anda tão desmoralizado". Seguiram-se Diogo Piçarra, a banda HMB, José Cid, Pedro Abrunhosa - feroz crítico do Presidente cessante Cavaco Silva - e Anselmo Ralph. A noite acabou com o angolano a cantar A Única Mulher, acompanhado por Marcelo que, na plateia, trauteava a canção. O Presidente acabou por subir ao palco para, no fim, agradecer numa vénia com todos os artistas.

Antes, entre o público, que não chegava a encher a Praça do Município, Ermelinda, empregada de balcão do Porto, afirmava que este será um "Presidente do povo e dos afetos, uma pessoa muito querida, acho que este Presidente vai ser mais presente". De repente, lança: "Olhe que tem ali o Tino de Rans!" Vitorino Silva, candidato à presidência na corrida que Marcelo venceu, dizia: "Eu disse que gostava abrir de abrir porta do meu gabinete ao povo. O Marcelo está a fazer aquilo que eu queria fazer, e acho que faz bem."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.