Nem todos os socialistas concordam com apoio a Rui Moreira

Há quem defenda no PS que este apoio "é o pior sinal" que se dá ao Porto e aos que se candidatam em sítios difíceis
Publicado a
Atualizado a

António Costa não disse o nome, mas ninguém teve dúvidas: Rui Moreira será apoiado no Porto pelo PS - como também pelo CDS. O próprio presidente da câmara portuense já veio publicamente dizer-se "satisfeito" com o apoio socialista, cujas portas foram escancaradas pelo secretário-geral do PS no encerramento do 21.º congresso do partido.

O calendário para as eleições autárquicas será fechado internamente nos próximos 15 dias, explicou ao DN Maria da Luz Rosinha, secretária nacional do PS responsável pelas autarquias. Neste momento é claro que os presidentes de autarquias em primeiro mandato serão recandidatos e que aqueles que estão num segundo mandato também terão luz verde das concelhias.

Para Maria da Luz Rosinha, o Porto é uma situação "absolutamente serena", recordando aquilo que António Costa disse no congresso. "Não há tensão" entre os socialistas portuenses. No discurso com que fechou o conclave, o secretário-geral do PS disse que os socialistas podem apoiar a recandidatura de movimentos de cidadãos, como no Porto, assim como renovarem a experiência autárquica do Funchal (em que estão coligados com vários partidos). Não é "em nome do emblema da mãozinha" que se vai "pôr em causa a gestão de uma cidade", argumentou Costa.

"Estatutariamente está tudo em aberto", lembrou ao DN o presidente da concelhia socialista, Tiago Barbosa Ribeiro. "A concelhia tem autoridade para decidir, sempre em articulação com a federação distrital e a direção nacional", completou.

Na reunião magna do PS, os aplausos foram muitos e ninguém ouviu críticas, mas a história não é tão simples de digerir. Um antigo dirigente, sob condição de anonimato, referiu que "desistir do Porto é o pior sinal que o partido pode dar aos eleitores do Porto e do país". E insistiu: "É um sinal errado para concelhos muito difíceis", insistindo que o partido devia ir a jogo em todos os concelhos do país. Como foi o PS de José Sócrates, recordou.

Já Isabel Santos, deputada e militante do PS do Porto - que o DN não conseguiu contactar - escreveu em março, nas páginas do JN, que via "com muita dificuldade um apoio do PS, nas eleições autárquicas, ao movimento independente que lidera a Câmara do Porto".

Defendendo que "o PS é um partido estruturante na democracia portuguesa", de "matriz ideológica definida", Isabel Santos notava que "renunciar a isso, para apoiar uma candidatura independente que afirma, com sobranceria, que não aceitará condicionar em nada o seu programa de modo a alargar a sua abrangência, implicaria abrir mão da sua identidade e do seu espaço político de uma forma absolutamente inaceitável".

A deputada antecipou a recusa de Rui Moreira em abrir mão do seu programa. Reagindo ao apoio do líder socialista, o autarca sublinhou o carácter independente do movimento. "O CDS já manifestou interesse em apoiar, saber que o PS apoia deixa-me muito contente, muito satisfeito, mas será sempre uma candidatura independente e as candidaturas independentes não podem por definição fazer coligações, não podem por lei", disse.

E completou: "Não tenho nenhum acordo formal com o PS nem o pedi. (...) Irei apresentar uma lista e convidarei aqueles que eu considero que são os melhores e espero, naturalmente, apoio do PS, do CDS, de outros partidos, cidadãos independentes e de muitas pessoas."

Nada muda no PSD

No PSD a versão oficial é que nada muda com o apoio do PS a Rui Moreira. O líder da distrital social-democrata do Porto, Virgílio Macedo, disse ao DN que "o partido tem a sua estratégia para o candidato do Porto que não está dependente nem condicionada pelo PS nem por quem o PS apoia".

Ao DN, outra fonte da distrital laranja diz que "esta situação já era previsível". A mesma fonte avisa que "o PSD já tinha um problema no Porto, que é igual em Lisboa - ainda não tem um candidato forte". O social-democrata lembra que "já era difícil bater o Rui Moreira mesmo que o PS apresentasse um candidato próprio, agora com este apoio do PS, não vai haver divisão do eleitorado, logo será difícil ganhar".

Como um mal nunca vem só, as estruturas do PSD locais também parecem estar a dividir-se. Há três dias, o Público noticiou que um grupo de militantes pediu a antecipação de eleições na distrital do PSD-Porto para que haja mais legitimidade na escolha dos candidatos autárquicos.
O próprio líder da concelhia do Porto, que vai dar opinião sobre o candidato escolhido, é subscritor do pedido feito ao líder distrital, Virgílio Macedo (cujo mandato termina no final de 2016), para que seja uma nova equipa a escolher os candidatos.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt