Não se esqueça da greve: Metro só reabre sábado. Utentes queixam-se

Efeitos de nova greve do Metropolitano de Lisboa começaram a sentir-se esta quinta-feira, a partir das 23:20. E não há serviços mínimos.

O número de greves do Metropolitano de Lisboa tem sido exagerado e os passageiros são os principais prejudicados, consideram utentes do Metro ouvidos pela Lusa um dia antes de decorrer nova paralisação dos trabalhadores.

A circulação de comboios do Metropolitano de Lisboa deverá ser suspensa hoje às 23:20, devido à greve de 24 horas convocada por vários sindicatos para sexta-feira, sendo retomada às 06:30 de sábado.

A greve, a oitava realizada este ano, pretende protestar contra a subconcessão da empresa, já atribuída pelo Governo à empresa espanhola Avanza, e contra a prevista dispensa de trabalhadores.

Para Tiago Barbosa, de 16 anos, as greves fazem sentido, mas a frequência é exagerada.

"Se não houver greves, [os trabalhadores] não podem fazer valer os seus direitos. Acho é que, no caso do Metro, já estão a exagerar um pouco. Há outras maneiras de serem ouvidos", disse o jovem, que usa o Metro todos os dias.

Já José S. considera que a greve só serve para prejudicar os utentes.

"Impede-me, por exemplo, de ir [a casa] à minha hora de almoço, que é o habitual. E como a mim, à maior parte dos utentes. Eles defendem os direitos deles e tenho de lhes dar alguma razão, mas não totalmente. Acho que vai ser sem resultados benéficos para eles. Não vão conseguir levar a deles avante", afirmou.

Maria Paulo, fisioterapeuta, queixa-se de que, sempre que há greve do Metro, tem de ir a pé da Pontinha até à Amadora para trabalhar.

"Para quê esta greve? Não adianta de nada. É para isto [o Metropolitano] não passar a privado? Mas o Estado não tem dinheiro e vai por isto privado como vai ser com a TAP. A solução que eles [os trabalhadores] querem não há. Deviam era cortar nos ordenados deles", considerou.

Também Ana Maria, reformada, precisava de usar o Metro na sexta-feira, mas já sabe que não vai conseguir e não tem dinheiro para táxis.

O mesmo acontece com Stéphanie Rodrigues, que tem um exame e não pode mesmo atrasar-se, e com Maria Vieira, que acha bem as greves, porque "cada qual tem de fazer valer os seus direitos", mas que, no caso da falta de Metro, tem de apanhar mais autocarros entre a sua casa, no Cacém, e o trabalho.

Para minimizar os inconvenientes para os utentes, o Metropolitano de Lisboa realça que a rodoviária Carris reforçará algumas das carreiras de autocarros entre as 06:30 e as 21:00, nomeadamente a 726 (Sapadores - Pontinha Centro), a 736 (Cais do Sodré - Odivelas -- Bairro Dr. Lima Pimentel), a 744 (Marquês de Pombal - Moscavide - Qta. Laranjeiras) e a 746 (Marquês de Pombal - Estação Damaia).

O sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA) anunciou, entretanto, ter avançado com um outro pré-aviso de greve para o Metro para 15 de julho, dia em que também a rodoviária Carris estará em greve.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)