Mulheres desconhecem pílula gratuita no SNS

Há mulheres a chegar aos serviços de saúde públicos grávidas porque deixaram de ter dinheiro para comprar a pílula. Um fenómeno que se começa a sentir e que mostra o desconhecimento sobre o acesso gratuito nos centros de saúde a métodos contracetivos.

"A crise tem impacto na bolsa das pessoas. Temos mulheres, que não eram seguidas no SNS, que engravidam porque deixaram de ter dinheiro para comprar a pílula e não sabem que podiam ter acesso de forma gratuita nos centros de saúde. É uma situação que se sente mais nos grandes centros, mas que é transversal em termos de idade e de qualificações", explica Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção.

A propósito do Congresso Europeu de Contraceção, que se realiza em Lisboa, a responsável referiu quanto ao acesso que "Portugal é dos países com legislação mais uniforme e mais aberta". O acesso a pilulas e outros métodos, como anéis vaginais e implantes, tem sido mais ou menos uniforme em todo o País. Mas o cenário pode mudar.

"Nos últimos tempos tem existido mudanças políticas, com as Administrações Regionais de Saúde a terem alguma individualização e pode deixar de ser uniforme. A saúde reprodutiva é um direito da população. Não temos informações de rotura de stock ao ponto de haver mulheres que estejam sem contraceção durante períodos prolongados. Sabemos de alguns problemas na região de Lisboa em relação ao anel vaginal", aponta.

A falta de médicos de família pode ser negativa nesta área, refere Teresa Bombas. "Pode ter impacto a longo prazo. Estamos num equilíbrio muito frágil", diz.

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