MP pede prisão efetiva para Vale e Azevedo

O Ministério Público (MP) pediu hoje a condenação de João Vale e Azevedo no processo de alegada apropriação de mais de quatro milhões de euros do Benfica, resultantes da transferência de futebolistas, entre 1998 e 2000.

Nas alegações finais do julgamento na 3.ª Vara Criminal de Lisboa, o MP considerou que João Vale e Azevedo, presidente do Benfica de novembro de 1997 a outubro de 2000, "deve ser condenado, em cúmulo jurídico, a uma pena de prisão efetiva" por um crime de branqueamento de capitais, um de falsificação de documento, um de abuso de confinaça e três de peculato.

"O arguido deve ser condenado pelos crimes imputados na acusação, apurados na generalidade face à substancial prova nos autos", referiu o procurador da República João Paulo Rodrigues.

O magistrado argumentou que Vale e Azevedo "conseguiu desviar de qualquer controlo contabilístico do Benfica" as transações dos quatro futebolistas, usando "o dinheiro para despesas do seu exclusivo interesse".

A sessão de julgamento de hoje prossegue com as alegações finais dos advogados do Benfica e de Vale e Azevedo.

Extraditado para Portugal a 13 de novembro e 2012, Vale e Azevedo não está presente em tribunal, uma vez que usou a a prerrogativa da lei no âmbito de extradição para Portugal (princípio da especialidade).

A sua alegação foi a de que "não pode ser sujeito a procedimento penal por infração praticada em momento anterior" à sua extradição, ao abrigo do mandado de detenção emitido após fixado o cúmulo jurídico de 11 anos e meio no âmbito dos processos Ovchinnikov/Euroárea, Dantas da Cunha e Ribafria.

Vale e Azevedo encontra-se preso no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Belas (Sintra).

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