MP investiga alegado crime na compra e venda de obrigações do Novo Banco

O Ministério Público está a investigar alegadas irregularidades na compra e venda de obrigações do Novo Banco, um caso que remonta a dezembro de 2015 e que poderá envolver o crime de abuso de informação privilegiada.

"Confirma-se a receção de duas participações da CMVM, as quais deram origem a dois inquéritos. Estes inquéritos encontram-se em investigação e não têm, de momento, arguidos constituídos", disse fonte da Procuradoria Geral da República (PGR) à Lusa.

O pedido de informação da Lusa surgiu na sequência da notícia sobre o caso que foi avançada ao fim do dia de hoje pelo jornal eletrónico Eco - Economia Online.

O negócio suspeito, que terá levado a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a comunica-lo à PGR, refere-se a uma transação de 64 milhões de euros que terá acontecido dias antes de o Banco de Portugal transferir 2,2 mil milhões de obrigações do Novo Banco para o Banco Espírito Santo (BES), avança a ECO na notícia.

Explica-se na página do jornal eletrónico que uma seguradora terá vendido um bloco de 64 milhões de euros de obrigações do Novo Banco a um investidor institucional fora de Portugal. E que uma semana depois o Banco de Portugal emitia um comunicado sobre a transferência de obrigações para a esfera de ativos do banco mau, o BES, pelo que "quem tinha comprado a obrigação uma semana antes" perdeu a "quase totalidade do capital investido".

A Lusa tentou obter um comentário junto da CMVM mas tal não foi possível.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)