MP enaltece importância do jornalismo de investigação

Ministério Público rejeita nas alegações finais do julgamento da Operação Fizz que investigação só se socorreu da imprensa e diz serem óbvias ligações entre Manuel Vicente e Carlos Silva

A procuradora Leonor Machado elogiou esta quinta-feira a importância do "bom jornalismo de investigação" nos regimes democráticos, na abertura das alegações finais da acusação no julgamento da Operação Fizz.

"As democracias devem muito ao jornalismo" e se o trabalho dos jornalistas "não deve ser considerado" como prova documental em tribunal, "deve ser valorado" quando estão em causa "sócios de fachada ou testas de ferro" que encobrem os verdadeiros donos de uma empresa, argumentou Leonor Machado.

No caso da Operação Fizz, o Ministério Público (MP) socorreu-se da imprensa "porque se confrontou com uma realidade" que ultrapassava as capacidades da investigação - que primeiro "procurou fontes [tidas] como fidedignas" para confirmar as suspeitas existentes.

Leonor Machado realçou a importância da "prova circunstancial" num processo como o da Operação Fizz, onde "os indícios têm de ser valorados e só em conjunto" podem conduzir à decisão.

A procuradora insistiu ainda na ligação entre o banqueiro angolano Carlos Silva e o antigo vice-presidente Manuel Vicente (cujo dossier foi enviado para a Justiça angolana julgar), dizendo ser "forçoso que não subsistam dúvidas que as ligações entre Carlos Silva e Manuel são evidentes" e em particular através da relação entre a petrolífera Sonangol e os bancos a que o primeiro estava ligado.

A Operação Fizz tem como arguidos o procurador Orlando Figueira, o advogado Paulo Blanco e o empresário Armindo Pires.

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