Motos vão ter inspeção obrigatória até ao verão

Pacote de medidas de combate à sinistralidade inclui deteção de psicotrópicos na condução, cartas para motos de 125 cc e velocidade a 30 km/h nas zonas urbanas com mais acidentes

A inspeção obrigatória dos motociclos com cilindrada superior a 250 cc vai avançar já no primeiro semestre do ano, sendo a primeira de várias medidas para travar a sinistralidade rodoviária, anunciou ontem o ministro da Administração Interna (MAI) no final da reunião da Comissão Interministerial para a Segurança Rodoviária.

Já as cartas obrigatórias para conduzir motos de 125 cc ainda não têm uma data prevista mas ficou decidido ontem que é para implementar ao longo do ano.

Há um conjunto de medidas que vão ser tomadas em concertação do MAI com outros ministérios. O objetivo é travar as mortes nas estradas, que aumentaram para 509 no ano passado, mais 64 do que em 2016 (12,5%). Por exemplo, o Ministério da Justiça irá estudar como avaliar melhor a deteção dos psicotrópicos na condução.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, descreveu a "coincidência feliz de as autarquias locais estarem na mesma tutela do MAI" porque o governo quer baixar os limites de velocidade "em algumas zonas urbanas para 30 km/hora" mas "serão as autarquias a identificar os pontos negros" onde há mais acidentes e é nesses que será reduzido o limite.

Em declarações aos jornalistas, Eduardo Cabrita justificou estas mudanças lembrando que em 2017 se registaram mais acidentes mortais com motociclos do que no ano anterior e que mais de metade das mortes em acidentes de viação ocorreram nas localidades, com "um número significativo de atropelamentos" entre estas.

A inspeção a motos está prevista na lei desde 2012, mas a ausência de regulamentação fez que ainda não esteja a ser aplicada na prática. A Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel (ANCIA) congratulou-se ontem com as medidas anunciadas por Eduardo Cabrita, que antes da reunião as tinha referido numa entrevista à Antena 1. A ANCIA tem defendido as inspeções a motos, dando execução ao diploma publicado em 2012, até agora não aplicado pelo governo e Reguladores. A Comissão Interministerial - que integra membros do governo das áreas da Presidência e da Modernização Administrativa, Finanças, Justiça, ministro adjunto, Educação, Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Saúde, Planeamento e das Infraestruturas, Ambiente e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural - vai também chamar as associações do setor implementadas na sociedade civil para discutir esta reforma.

PRP quer "novos exames"

Uma das entidades que serão ouvidas é a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), cujo presidente, José Miguel Trigoso, adiantou ao DN duvidar da "eficácia da medida das cartas obrigatórias para motos de 125 cc se não vier acompanhada de uma mudança profunda nos exames de condução dos motociclos, que são ridículos, e, consequentemente, da formação, que tem sido adequada aos maus exames que existem".

Por outro lado, acrescentou, "é preciso ver que tipo de motos estiveram na origem de mais acidentes com mortes e feridos no ano passado e, de acordo com as informações que disponho, não foram os ciclomotores de 125 cc mas as de cilindrada superior".

Para os muitos condutores de ligeiros que compraram uma 125 cc para andar na cidade, por exemplo, a medida da carta obrigatória preocupa. "Conduzo uma Honda SH de 125 cc. Por minha iniciativa fiz um curso de condução defensiva na Escola de Pilotagem Honda antes de me atrever a ir para a estrada com a motinha, porque estava habituada apenas a conduzir o carro", conta Ana Margarida, que questiona se a formação que fez a dispensará da carta. Ainda não há resposta a essa dúvida.

Nuno Barradas, instrutor na Escola de Pilotagem Honda, garante que a formação que dão inclui um simulador e várias situações reais na estrada para as quais "as escolas de condução não estão preparadas".

CDS questiona

O CDS-PP vai questionar o ministro da Administração Interna sobre alterações aos limites de velocidade urbanos, considerando que "não faz sentido nenhum" fixá-los em 30 km/hora, o que favorece "uma caça à multa desenfreada".

Aumento nas motos

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, voltou a sublinhar ao DN que "o aumento da sinistralidade rodoviária grave em 2017 está "exclusivamente concentrado" nos motociclos, cuja circulação nas estradas aumentou no ano passado por "razões de economia, mobilidade e bom tempo".

O fator velocidade

João Dias, investigador do Instituto Superior Técnico, onde integra o Núcleo de Investigação de Acidentes, referiu ao DN, no dia 3, que "o grande problema associado à sinistralidade com motociclos chama-se velocidade". A idade não é fator de risco.

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