Morreu Mário Gentil Quina, medalha de prata nos Olímpicos de Roma (1930-2017)

Mário Gentil Quina, medalhado olímpico nos Jogos de 1960, morreu ontem de manhã. Missa celebra-se hoje às 17, na Igreja da Boa Nova, no Estoril

Tinha 70 anos quando decidiu jubilar-se de Professor Catedrático de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinava futuros clínicos desde 1979. Levou ainda alguns anos a deixar de dar consultas, não porque não estivesse capaz mas por temer que a idade o levasse algum dia a cometer um erro.

Era assim, Mário Gentil Quina, um jovem de 87 anos que aos 30 anos, ao lado do irmão José Manuel, cinco anos mais novo, chegou à medalha de prata em vela (classe Star), nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, e foi porta-estandarte da Missão Portuguesa.

Mário Gentil Quina morreu ontem de manhã, estando marcada para hoje, às 17.00, missa em sua intenção na Igreja da Boa Nova, no Estoril. O funeral será no domingo, em hora a confirmar.

Nascido no primeiro dia do ano de 1930, no Estoril, numa família de médicos (o avô foi o criador do Instituto Português de Oncologia), Mário Gentil Quina estava destinado a grandes empreitadas. Velejador apaixonado, tal como os cinco irmãos, participou em quatro edições dos Jogos Olímpicos: Helsínquia, 1952; Roma, 1960 - quando, ao lado do irmão, conquistou a segunda medalha de prata da história de Portugal, na mesma modalidade em que os irmãos Bello a haviam atingido em 1936 mas na classe Star -; México, 1968; e Munique, 1972.

Formado em Medicina em 1952 e especializado em Gastroenterologia, acumulou a sua profissão com as aulas enquanto Professor Catedrático responsável pela cadeira de Medicina Interna e Gastroenterologia. E era, diz quem o consultou no hospital, no BNU ou no consultório do British Hospital, um daqueles médicos à antiga, que verdadeiramente se interessava pelos doentes ao ponto de lhes telefonar para casa para assegurar que reagiam bem aos tratamentos.

Casado por duas vezes - primeiro com Raquel Braga Serra, mãe dos seus filhos, depois com Maria Palmira Varela -, foi presidente da Federação Portuguesa de Vela, e velejou quase até ao fim no seu Bavaria38.

Os seus méritos como médico e desportista foram reconhecidos através de diversos prémios e distinções. Há dois anos, recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique das mãos do então Presidente Cavaco Silva.

Em 2011, num trabalho do Record, recordava o barco que o levou à medalha: "Chamava-se 'ma lindo'. Quando o comprei já tinha esse nome. Significava que teoricamente era o mais lindo de todos e eu achei piada ao nome e mantive-o. A cerimónia da medalha de prata foi muito emocionante, um momento único da vida, que me marcou muito."

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