Morreu o embaixador José Fernandes Fafe

O diplomata havia sofrido um AVC dia 1 de fevereiro, um dia depois de celebrar 90 anos. Será cremado amanhã no cemitério dos Olivais, pelas 15.00

José Fernandes Fafe nasceu no Porto em 31 de janeiro de 1927 e formou-se em Histórico-Filosóficas em Coimbra. Fez oposição à ditadura antes do 25 de Abril e, depois, foi o primeiro embaixador português em Cuba (1974-1977), nomeado por Mário Soares, então ministro dos Negócios Estrangeiros. O diplomata morreu aos 90 anos.

A experiência cubana permitiu-lhe intenso contacto com o líder histórico da revolução cubana, Fidel Castro, escrevendo sobre ele uma importante biografia, Fidel por José Fernandes Fafe. Clandestinamente, José Fernandes Fafe - viúvo, pai de dois filhos - já tinha estado na ilha caribenha em 1963, assinando com o pseudónimo de David Alport, no final da década de 60, uma biografia de Ernesto Che Guevara, De Cuba ao Terceiro Mundo. A obra começaria por ser publicada em Itália e só depois da Revolução dos Cravos chegaria a Portugal, agora já assinada com o verdadeiro nome do seu autor.

A produção literária de José Fernandes Fafe inclui mais de duas dezenas de obras, de poesia, teatro, romance e ensaio. Uma das suas obras mais conhecidas - Annie: uma portuguesa na revolução cubana - centra-se na extraordinária biografia de Ana ("Annie") Silva Pais, a filha do último diretor da PIDE, Fernando Silva Pais, que foi para Cuba em 1963 acompanhando o marido e se apaixonou pela revolução cubana.

Ao longo dos anos 60, sendo professor liceal, José Fernandes Fafe militou ativamente na Oposição do Estado Novo, integrando, por exemplo, o grupo da Seara Nova. Protagonizou missões de risco, como a de abrigar, pedido de Mário Soares, o revolucionário Palma Inácio, depois de uma das suas muitas fugas da prisão.

Na diplomacia, depois de Cuba, foi embaixador no México (1977-1980), em Cabo Verde (1983-1989) e na Argentina (1989-1992). Foi também embaixador itinerante pelos países africanos de expressão oficial portuguesa.

O velório começará hoje às 19.00 na Igreja de São João de Deus (Praça de Londres, Lisboa). Amanhã, pelas 13.00, haverá, no mesmo local, uma cerimónia (não religiosa) de homenagem. Para as 15.00 está marcada a cremação, no cemitério dos Olivais.

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