Moreira realça a sua independência. "Só faz falta quem está"

Manuel Pizarro teve dois ministros na campanha e procura capitalizar nas autárquicas o facto de representar o partido do Governo

À entrada para a última semana de campanha, as candidaturas à Câmara do Porto lançam os apelos e trunfos finais, com a presença de figuras nacionais, como Paulo Rangel a apoiar Álvaro Almeida e os ministros Matos Fernandes e Azeredo Lopes a marcar presença nas ações de Manuel Pizarro. O ministro da Defesa foi ontem tema nos comentários dos candidatos, por apoiar agora o socialista ao invés do que fez em 2013, em que foi um dos elementos mais ativos da equipa de candidato independente que se tornou presidente da Câmara.

Rui Moreira, que na apresentação do programa eleitoral, no sábado à noite, não teve nenhum personalidade surpresa, foi ontem taxativo sobre Azeredo Lopes: "Não faz falta nenhuma." Sem avaliar a mudança de posição do seu ex-chefe de gabinete na Câmara, deixou claro que "só faz falta quem está connosco e quem for votar no dia 1 de outubro".

Do lado do PSD, Paulo Rangel comentou que "é preciso registar que, para quem diz que não é cata-vento, a declaração é contraditória. O direito a mudar de opinião existe. É compreensível que, se é ministro do Governo, apoie um candidato do Governo". A afirmação ouviu-se durante uma ação de campanha de Álvaro Almeida, que também fez a sua análise: "É revelador que, em 2013, tínhamos um movimento de cidadãos alargado, com pessoas de vários quadrantes. Esse movimento está esvaziado. Está apenas com as pessoas do presidente da Câmara e que dependem da Câmara. A maior parte dos que apoiavam Moreira deixaram de apoiar, a começar pelo ministro da Defesa", afirmou.

Quase todos falaram de Azeredo Lopes, menos o próprio. O ministro da Defesa esteve ontem em mais uma iniciativa de Manuel Pizarro mas não quis prestar declarações.

Azeredo Lopes até surgiu no comício do Rivoli em que Rui Moreira apresentou o manifesto eleitoral, quando foi projetado um vídeo relativo ao dia das eleições de 2013. Na sala ouviu-se uma vaia. Foi a única numa noite que centenas de pessoas encheram o teatro municipal. Moreira vincou que o seu movimento é portuense e assim continuará. "Não recebemos telefonemas de Lisboa a dizer que o que estamos a dizer é inconveniente. Não vou receber ordens de ninguém. Vou ficar aqui", disse para chegar a uma conclusão, do agrado dos apoiantes: "Somos os mais independentes e os mais livres."

Antes o mandatário Valente de Oliveira, que abandonou o PSD para apoiar Moreira, tal como em 2013, disse que "o Porto tem sorte em ter Rui Moreira". O manifesto, com quase 50 páginas, aposta numa linha de continuidade às políticas já desenvolvidas. No campo da habitação, nota-se atenção a alguns dos problemas agora mais em foco, como é caso da habitação, com um programa a para fomentar as rendas condicionadas na cidade. No resto, promete manter a cultura como vértice, reforçar a coesão social e manter o dinamismo económico.

Socialistas de bicicleta

Do lado socialista, Manuel Pizarro andou novamente pela marginal do Douro, desta vez de bicicleta. E pedalou à frente numa de dois lugares que serviu para o candidato levar o seu mandatário, o ministro do Ambiente Matos Fernandes. Pizarro diz estar confiante na vitória e voltou a destacar a atitude do Governo em relação ao Porto, com exemplos (STCP, Mirós, Águas do Douro, Metro) que têm sido frequentes. "É um Governo com uma atitude diferente em relação ao Porto e acho que os cidadãos do Porto verão isso com clareza", afirmou o candidato.

PSD é a "única alternativa"

Álvaro Almeida visitou uma feira na Pasteleira e teve a companhia de Paulo Rangel e Pedro Duarte. E optou por colocar Moreira e Pizarro no mesmo barco, colocando-se como a única alternativa. "Pizarro e Moreira são os dois responsáveis pela mesma governação. É preciso não esquecer que votar num ou noutro é a mesma coisa. A prova disso é que o ex-chefe de gabinete de Moreira, que há quatro anos o apoiou contra Manuel Pizarro, este ano apoia Pizarro contra Moreira", disse o independente que encabeça a coligação Porto Autêntico (PSD e PPM).

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Rosália Amorim

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