Moradores contra despejos manifestaram-se junto à Câmara do Porto

Autarquia quer vender as habitações para fins turísticos

Cerca de 15 pessoas da Associação de Moradores contra os Despejos no Porto protestaram esta terça-feira nas traseiras dos Paços do Concelho alertando a Câmara para a "pressão imobiliária e turística" na cidade, disseram à Lusa os manifestantes.

"Tenho de entregar a chave amanhã [quarta-feira], porque fui despejada da casa onde vivo, em Miragaia, desde que nasci, há 38 anos. O presidente da Câmara diz que dentro de dois ou três meses tenho casa. Entretanto, estou a viver no chão de casa da minha tia com a minha filha de 16 anos", descreveu Lusa Marta Dias, uma das residentes presentes no protesto realizado junto ao parque de estacionamento das viaturas da Câmara do Porto.

Os moradores apresentavam vários cartazes com frases como "Não aos despejos", "Mais habitação, menos especulação", "Habitação sim, mais hotéis não" e "O nosso desejo é nem mais um despejo".

Paula Magalhães, de 29 anos, diz ser atualmente "ocupa" na casa onde reside, na rua dos Caldeireiros, porque os atuais proprietários, "estrangeiros", lhe "devolvem o valor da renda" que continua a pagar.

"O contrato acabou no dia 30 e, sempre que pago a renda, reembolsam-me. Mas para onde é que eu vou? Fico lá, claro. Não arranjo casa!", observou.

António Dias, de 42 anos, reside há 21 na rua da Arménia e, uma vez que "o prédio foi vendido", receia "ser despejado".

"Pago uma renda de 250 euros, que já não é coisa pouca. Tenho medo de que me obriguem a sair. Vivo com um filho de cinco anos. É lamentável o que se passa no Porto, com tantos despejos por causa do turismo", afirmou.

Para o morador, "o presidente da Câmara está muito interessado na Cultura, mas esqueceu-se da habitação".

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