Montenegro trava Relvas e jura fidelidade a Passos Coelho

Chefe da bancada do PSD no Parlamento recusa categoricamente ideia de eleições primárias para escolher líder do partido. E garante que continuará com Passos até às legislativas

Face à insistência de Miguel Relvas na adoção de um sistema de eleições primárias no PSD - liderança escolhida tanto por militantes como por pessoas fora do partido, como foi António Costa no PS em 2014 -, Luís Montenegro veio a terreiro travar a ideia. Ao mesmo tempo, jurou lealdade a Passos Coelho, respondendo assim também implicitamente a Miguel Relvas, que o apresentou há dias como "um dos rostos do futuro do PSD".

Ontem, à margem da IX Academia de Jovens Autarcas, organizada pela JSD de Leiria, o líder da bancada do PS na Assembleia da República, afirmou, segundo a Lusa, não concordar com "essa ideia": "Nunca fui um grande adepto das eleições primárias. Creio que o PSD não precisa de legitimar as suas lideranças por essa via. Não há no panorama político e partidário português essa tradição e a experiência que houve no PS foi um perfeito fracasso." No seu entender, "se a ideia [do PS] era que houvesse uma mobilização muito grande e representativa de um sentir do povo português, isso caiu por terra, porque António Costa ganhou as eleições primárias e perdeu - e por muito - as eleições legislativas". Ou seja, "não radicou na realização de eleições primárias nenhum movimento político especial dos eleitores".

Para Montenegro, não são as eleições primárias que o sistema político e partidário português precisa de discutir. "É saber se nós queremos um sistema político eleitoral no qual as pessoas quando votam nas eleições legislativas, para além de escolherem deputados, escolhem também uma liderança governativa e um projeto base de governação. Isso aconteceu sempre nas eleições legislativas em Portugal, mas não nas últimas." "O povo tem direito a escolher a liderança do governo e a escolher a base do programa da governação", reforçou.

Montenegro comentou também o facto de Relvas o ter implicitamente colocado na corrida à liderança do partido. "O partido tem uma liderança e uma liderança muito estável. Terá congresso no próximo ano e se alguém quiser disputar essa liderança acho que deve fazê-lo, se sentir essas condições", começou por dizer. Acrescentando: "A minha posição também é conhecida: apoio Pedro Passos Coelho e quero com ele construir um caminho de afirmação política do PSD, que tem como objetivo vencer as terceiras eleições legislativas consecutivas e podermos dar ao país uma governação bem mais ambiciosa do que aquela que temos hoje."

Ontem, comentando a atualidade política na SIC, Luís Marques Mendes considerou que "não faz sentido" o PSD pôr-se agora a discutir a possibilidade de eleições primárias porque seria virar o partido "para dentro".

Segundo acrescentou, no congresso do PSD em 2018, Passos será recandidato - mas terá a oposição de Rui Rio, e "será uma disputa mais renhida do que se imagina". Quanto a Montenegro, poderá um dia candidatar-se mas "só daqui a três, quatro ou cinco anos".

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