Montenegro exclui-se como candidato mas diz que PSD tem condições de ganhar Lisboa

O líder parlamentar do PSD diz ter encerrado em 2013 uma experiência autárquica de 20 anos

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, excluiu-se hoje de qualquer disputa eleitoral autárquica, mas considerou que o partido tem condições para apresentar "uma candidatura ganhadora a Lisboa", dizendo que Assunção Cristas representa "a candidatura do CDS".

No dia em que arrancam as jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, Luís Montenegro desdramatizou, em declarações aos jornalistas, o anúncio da candidatura da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, à Câmara Municipal de Lisboa.

"Não há drama nenhum na candidatura da dr.ª Assunção Cristas, agora temos de ter noção de uma coisa - é a estratégia e a candidatura do CDS", sublinhou, acrescentando que os democratas-cristãos não são os adversários autárquicos do PSD.

Questionado se admite protagonizar ele próprio uma candidatura a Lisboa ou ao Porto, depois de ter sido autarca em Espinho, Montenegro excluiu essa possibilidade, dizendo ter encerrado em 2013 uma experiência autárquica de 20 anos.

"Neste momento não tenho nenhuma intenção - e portanto isso não irá acontecer - de retomar a minha vida autárquica. No PSD, temos de procurar bons protagonistas mas eu neste caso estou concentrado no meu trabalho parlamentar (...). Há muitos quadros no PSD com mais disponibilidade e mais capacidade", referiu.

O líder parlamentar do PSD recordou que o partido já aprovou um calendário interno com vista à apresentação dos candidatos às autárquicas, que se disputarão no outono do próximo ano, e que passa por fechar este processo até ao primeiro trimestre de 2017.

"Dentro do calendário que já aprovámos, creio que temos todas as condições para apresentar uma candidatura ganhadora a Lisboa e eu diria que Lisboa precisa muito disso", referiu, apontando a capital portuguesa como "uma cidade desorganizada e caótica do ponto de vista do trânsito".

"Só quem não anda em Lisboa é que pode estar tranquilo relativamente ao que tem sido a política municipal", referiu, dizendo que "o PSD como principal partido de oposição precisa e tem condições de apresentar uma candidatura forte".

O líder parlamentar social-democrata recusou-se a apontar nomes de candidatos autárquicos para as duas principais cidades do país, mas considerou que o partido tem "boas personalidades" para esses dois combates e que nenhum deles está decidido à partida.

"Nenhuma dessas eleições está decidida - Lisboa manifestamente está muito carenciada de uma outra liderança política, o Porto tem um enquadramento diferente porque o presidente da Câmara [Rui Moreira] emanou de uma candidatura independente", disse, mas realçando que, "no Porto, muitas vezes tem ganhado as eleições aquele candidato que à partida não é o favorito".

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