Ministro garante que pensionistas não serão penalizados em 2017

Vieira da Silva quis explicar como a mudança nos duodécimos vai afetar as pensões este ano, apesar dos aumentos

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, garantiu hoje que os pensionistas não serão prejudicados no valor das respetivas pensões este ano, apesar de o montante que vão receber em janeiro ser um "pouco mais baixo".

"Com a aprovação do Orçamento do Estado para 2017 (OE2017) são atualizadas todas a pensões até um valor de 842 euros. Essa atualização irá acontecer já a partir do mês de janeiro, mas acontece que no mês de janeiro poderá ter um valor um pouco mais baixo na sua pensão", afirma Vieira da Silva num vídeo hoje lançado na rede social 'Twitter' do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Os pensionistas da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações irão receber em novembro ou em dezembro metade do subsídio de Natal, sendo a outra metade paga em duodécimos ao longo do ano, o que se traduz numa redução mensal do montante das pensões, que será sentida já em janeiro.

Embora haja uma redução já este mês, o ministro da tutela salienta, no vídeo, que "isso não quer dizer" que os pensionistas sejam prejudicados "no valor das suas pensões" uma vez que, "ao contrário dos anos anteriores, passará de novo a existir o subsídio de Natal".

"Mas aquilo que podemos garantir é que com esta atualização e com o aumento extraordinário, que para muitos pensionistas será em agosto, no final do ano de 2017 o valor da sua pensão será seguramente maior para a esmagadora maioria dos pensionistas, do que aquele que existiu em 2016", assegura o ministro da tutela.

Num encontro com jornalista no passado dia 4 de janeiro, para apresentação da política de rendimentos para 2017, Vieira da Silva indicou que as pensões serão processadas em janeiro já com o aumento em linha com a inflação até 838,44 euros, mas com os duodécimos do subsídio de Natal pagos a 50%, o que fará encolher o rendimento mensal dos pensionistas.

Na altura, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social disse tratar-se de uma "redução transitória".

O subsídio de Natal deixou de ser pago integralmente em 2013, passando a ser distribuído pelos pensionistas pelos 12 meses do ano, até ao ano passado.

A atualização de todas as pensões até aos 842,64 euros à taxa de inflação de 0,5% abrange, de acordo com a equipa de Vieira da Silva, 86% do universo dos pensionistas.

Os beneficiários da atualização extraordinária prevista para agosto para os pensionistas com pensões totais inferiores a 631,98 euros (de 10 ou seis euros, dependendo do tipo de pensão) poderão ainda contar com um acerto no final do ano.

De janeiro a agosto, o duodécimo é calculado com base na pensão de janeiro e, no final do ano, será processado o valor dos restantes 50% do subsídio de Natal, incluindo um acerto do diferencial, uma vez que o subsídio de Natal é pago por referência ao mês de dezembro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Pode a clubite tramar um hacker?

O hacker português é provavelmente uma história à portuguesa. Rapaz esperto, licenciado em História e especialista em informática, provavelmente coca-bichinhos, tudo indica, toupeira da internet, fã de futebol, terá descoberto que todos os estes interesses davam uma mistura explosiva, quando combinados. Pôs-se a investigar sites, e-mails de fundos de jogadores, de jogadores, de clubes de jogadores, de agentes de jogadores e de muitas entidades ligadas a esse estranho e grande mundo do futebol.

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.