Ministra manda para Marrocos a primeira mulher oficial de ligação

Paula Peneda está na embaixada portuguesa em Rabat, onde gere a cooperação e contactos com as forças de segurança locais

Uma oficial de "fino trato" que caracteriza Portugal como "um país pequenino demais para haver tantas polícias" é a nova oficial de ligação do ministério da Administração Interna (MAI) em Marrocos, um posto que cobre também a República Islâmica da Mauritânia. A superintendente Paula Cristina Peneda, 49 anos, vai representar o país em matéria de segurança e articular a cooperação e a troca de informações com as forças policiais do país de Mohamed VI.

É a primeira mulher a ocupar este cargo e o facto do destino ser um país muçulmano "não foi tido em conta" na sua escolha, garante o gabinete da ministra Constança Urbano de Sousa, também a primeira mulher a tutelar a pasta da segurança interna. Quem conhece Paula Peneda também não vê "qualquer problema". O presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP), Henrique Figueiredo, lembra que Marrocos "até tem uma embaixadora em Portugal", sublinhando que "não podemos ter princípios e valores ocidentais e depois sermos nós os preconceituosos. O facto de ser mulher nunca podia ser impeditivo desta nomeação". Para este oficial da PSP "a escolha é excelente e tem todas as condições para prestar um excelente serviço ao MAI e ao país".

Helder Andrade, presidente da outra estrutura representativa destes profissionais, o Sindicato de Oficiais de Polícia (SOP), aplaude igualmente a nomeação. "Trata-se de uma oficial de fino trato, discreta e simpática. Não tenho dúvida que não vai ter problemas em adaptar-se à cultura marroquina", afirma este dirigente.

O DN tentou falar com a superintendente mas esta não esteve disponível. Paula Peneda tem, no entanto, vasto currículo público. Esta é a sua terceira nomeação política num governo socialista. A primeira foi em 2002, por António Costa, na altura ministro da Justiça, para Chefe de Divisão de Vigilância, Segurança e Logística na Direção-Geral dos Serviços Prisionais, A segunda em 2007, no executivo de José Sócrates, quando foi recrutada pela então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para coordenar a Equipa e Missão para a Segurança Escolar daquele ministério. Toda a criminalidade nas escolas estava sob a sua monitorização.

É uma oficial com opinião formada sobre os problemas do sistema de segurança interna, considerando que "o cidadão teria a ganhar com uma única polícia". Numa entrevista ao Jornal de Notícias, quando foi destacada para liderar o comando distrital da PSP de Santarém - também a primeira mulher na PSP a assumir funções deste nível - foi perentória: "somos um país pequenino demais para haver tantas polícias". Assumiu que ser mulher num mundo de homens - como aquele em que trabalhou em Portugal e certamente o que vai encontrar entre as forças de segurança marroquinas e mauritanas - "até beneficia". Além disso, salientou, o seu "talento" nato "é mesmo "comandar".

Mais duas nomeações

Além de Paula Peneda, a ministra nomeou outros dois oficiais de ligação para Paris e Bissau, de acordo com as novas regras por ela definidas. GNR e PSP apresentaram três nomes e a governante escolheu. Para França vai o coronel da GNR Carlos Silva Gomes, que também não é estreante em nomeações políticas com o PS (foi governador civil de Faro) e vai substituir o ex-diretor nacional da PSP. O superintendente-chefe Paulo Gomes foi nomeado pelo anterior governo, na sequência da demissão por causa da invasão da escadaria do parlamento pelos sindicatos policiais. Para Bissau vai o superintendente Paulo Sampaio.

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