Aberto inquérito a alegada fuga de informação no exame de português

Gravação que circulou dias antes da prova revelava que ia sair Alberto Caeiro. Já foi feita denúncia ao Ministério da Educação

Uma gravação feita por uma aluna, que não se identifica, e que terá circulado no WhatsApp dias antes do exame de português de 12.º ano, terá revelado qual a matéria que iria ser abordada na prova.

Contactado pelo DN, Hélder de Sousa, presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pelos exames nacionais, confirmou que o caso "vai ser averiguado pelas autoridades".

O IAVE vai remeter hoje para a Inspeção-Geral de Educação e Ciência e para o Ministério Público informações sobre a alegada fuga de informação no exame, divulgou o organismo, em nota enviada à imprensa.

"Como habitualmente", o IAVE "vai hoje remeter para a IGEC [Inspeção-Geral de Educação e Ciência] e para o Ministério Público todas as informações de que dispõe sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal", sublinha o instituto responsável pela realização dos exames.

Segundo o Expresso, no áudio, ouve-se a aluna a dizer que falou com uma amiga "cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna", e que a referida explicadora tinha insistido para que estudasse apenas Alberto Caeiro, contos e poesia do século XX. "E pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória", acrescenta a aluna na gravação.

O semanário falou com Miguel Bagorro, professor na Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, que diz ter tido conhecimento da gravação dois dias antes do exame, que se realizou na segunda-feira. "Na altura não liguei, até porque todos os anos há boatos a circular sobre o que vai sair nos exames. Mas na segunda-feira, quando vi o que saiu na prova, fiquei estupefacto. O que foi dito na gravação foi exatamente o que saiu".

A comprovar-se a fuga de informação, a prova pode mesmo vir a ser anulada.

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