Militares também querem descongelamento de carreiras

Associações de militares pedem, em comunicado, descongelamento de carreiras, "de modo a recuperar o tempo perdido"

Os militares, à semelhança do que aconteceu com os professores, também querem ver recuperado o tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira e participar numa negociação com o Governo, anunciaram hoje três associações das Forças Armadas.

Em comunicado, a APM - Associações Profissionais de Militares, a ANS - Associação Nacional de Sargentos, AOFA - Associação dos Oficiais das Forças Armadas e AP - Associação de Praças, que estiveram reunidas na segunda-feira na sequência das notícias acerca do descongelamento das carreiras na Administração Pública, destacam que querem ver as suas carreiras descongeladas.

"A verdade é que ninguém da área da governação afirmou objetivamente, até ao momento, que o tempo de serviço congelado também contará para os militares, para a contagem de 'escalões' -- posições remuneratórias - e que, assim como está a realizar-se muito justamente com os professores, também para os militares o tempo, o calendário e o modo de recuperação das posições remuneratórias já vencidas serão objeto de recomposição da carreira, de modo a recuperar o tempo perdido", lê-se na nota.

No comunicado é ainda referido que as associações também tiveram conhecimento que, na próxima sexta-feira, vai decorrer uma reunião entre o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e as estruturas sindicais da PSP e, por isso, exigem, no quadro da sua lei própria, "participar num processo de negociação para debater o problema".

As associações pedem também que "sejam tomadas decisões" de forma clara e inequívoca, "sem ambiguidades e sem possibilidade de interpretações úteis, dúbias e paralisantes também para os militares".

"É público o compromisso que foi assumido com os professores, que acordaram vir negociar a recuperação das posições remuneratórias (escalões) no âmbito da ponderação da carreira própria dos docentes, envolvendo o tempo, o calendário e o modo de recuperação daquelas posições remuneratórias já vencidas visando a recomposição da carreira de modo a recuperar o tempo perdido, sem ultrapassagens indevidas", lembram as associações.

No comunicado, as associações adiantam ainda que, na quinta-feira, os militares vão fazer uma "carcaçada".

O presidente da Associação Nacional de Sargentos, Mário Ramos, explicou hoje à rádio TSF que uma "carcaçada" é saltar o almoço e utilizar esse tempo para refletir.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.