Militares dão luz verde a aeroporto no Montijo

Posições da Marinha e do Exército foram transmitidas à Força Aérea no estudo sobre a abertura da Base Aérea do Montijo à aviação civil

O Exército aceita retirar o comando da Brigada de Reação Rápida (BRR) de Tancos, assim como a Marinha transfere a sua esquadra de helicópteros para Sintra, para que a Base Aérea do Montijo (BA6) se transforme num aeroporto complementar ao de Lisboa. Estas posições foram transmitidas à Força Aérea (FA) no âmbito do estudo sobre a abertura da BA6 à aviação civil, confirmaram ao DN fontes militares.

Com o Presidente da República a afirmar que "a própria hipótese de uma decisão sobre o aeroporto do Montijo vai levar a um redefinir de dispositivos e de capacidades da Força Aérea", as soluções admitidas para o futuro das esquadras de voo na BA6 irão confirmar-se: as de transporte aéreo para Tancos e a dos helicópteros EH-101 para Sintra, com custos da ordem dos 130 milhões de euros.

A ida das aeronaves de transporte para Tancos obriga o Exército a retirar dali o Comando da BRR e a Companhia de Transmissões - que dá luz verde a essa hipótese. No entanto, é "pressuposto fundamental" manter certas estruturas nesse aeródromo militar, disse outra fonte: o Agrupamento Sanitário, a Companhia de Reabastecimento Aéreo, o Destacamento do Centro de Saúde Militar de Tancos/Santa Margarida e os bombeiros.

A FA "não vislumbra qualquer inconveniente" em que essas estruturas continuem em Tancos - cuja base será alargada para receber os futuros KC-390 - e "identifica potencial na criação" de capacidades conjuntas (sanitária, meteorologia, bombeiros) ou de "reforço noutras" (segurança), assumiu outra fonte.

Contudo, a FA defende que as suas áreas de formação específica "serão autónomas", mesmo que possam ser criadas "equipas mistas" e haja "concertação de necessidades de vivência comum".

Note-se que o Exército mostrara disponibilidade para "partilhar serviços" em Tancos com a FA e que potenciem "sinergias em diferentes áreas": da meteorologia à segurança, dos paióis - pelo menos antes do furto ali detetado - à saúde, dos transportes e reabastecimento de combustível à alimentação e alojamento.

Quanto a custos, vistos pelo Exército como a "questão central", a deslocalização do Comando da BRR e da Companhia de Transmissões está estimada em "7,7 milhões de euros", precisou uma das fontes.

Os estudos admitem a mudança do Comando da BRR como mais complexa, dada a sua dimensão e os impactos sociais sobre militares que na sua maioria residem a norte do rio Tejo. Évora ou uma de várias áreas na zona de Tancos, desde Santa Margarida aos regimentos de Paraquedistas ou de Infantaria 15 (Tomar), são hipóteses. Quanto à Companhia de Transmissões, seria acomodada com relativa facilidade num daqueles dois regimentos, dada a ligação orgânica existente com os respetivos batalhões, admitiu um oficial superior.

Faltando ainda o estudo de impacto ambiental, peça fundamental no processo, o ministro do Planeamento referiu recentemente que a abertura da BA6 ao tráfego civil é inevitável, dizendo ao Público que a solução "permite mais do que duplicar a capacidade da região de Lisboa [e] não elimina a possibilidade de se construir um novo aeroporto de Lisboa nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete".

Neste contexto, também a Marinha estudou os impactos de mudar a sua esquadrilha de helicópteros. Sendo meios orgânicos das fragatas, os Lynx têm de estar junto ao mar e próximos da base naval de onde partem os navios de guerra. Por isso é que Sintra surge como solução mais viável, pois as aeronaves embarcariam logo na foz do Tejo, assinalou um oficial.

Esta mudança, que acompanha a solução da Força Aérea para os EH-101 (busca e salvamento), envolverá custos de "pelo menos 14 milhões de euros" para financiar um novo pavimento aeronáutico e infraestruturas físicas e de base tecnológica.

A Marinha equacionou três opções - manter-se na BA6, ir para Sintra ou para outra infraestrutura aeronáutica (ambas no prazo de cinco anos)- e estimou os impactos a curto, médio e longo prazo. Os constrangimentos são dois: prejudicar o processo de remotorização dos helicópteros (previsto realizar até 2021) e desafetar a esquadrilha do "inventário NATO", organização que investiu cerca de 3,7 milhões de euros na área da BA6 usada pelos Lynx.

Quanto à NATO, que investiu na BA6 cerca de 6,5 milhões de euros nos últimos 15 anos e tem um "projeto aprovado de 1,1 milhões" para aumentar a capacidade da placa de aprontamento e inspeção, uma fonte admitiu que a abertura à aviação civil permitirá manter a base no inventário da Aliança - mas só enquanto a FA conseguir operar ali. A BA6 tem de poder receber 12 aeronaves NATO de vigilância terrestre. Se e quando essas infraestruturas forem destruídas, "terá de ser prevista a sua reconstrução" noutro local.

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