Militares da GNR têm de levar os filhos para a esquadra

Horários não são compatíveis com a abertura de infantários e escolas

Um despacho interno do Comando Geral da GNR, de novembro de 2017, retirou o horário flexível aos militares que têm filhos menores de 12 anos. Por causa disso, as mães que são militares e que foram colocadas em turnos que iniciam às 7h00 são obrigadas a levar os filhos para a esquadra. O Tribunal de Braga já aceitou a pretensão de uma militar que interpôs uma providência cautelar, aceite pelo juiz, e que assim suspende a decisão do comandante do posto. Mas este não é o único caso.

A notícia é avançada esta quinta-feira pelo Jornal de Notícias que avança que o tribunal aceitou a providência cautelar da militar que presta serviço no posto das Taipas, da GNR de Guimarães, uma vez que a ordem do comandante para cumprir o horário obrigava esta mãe a "violar responsabilidades parentais".

As militares queixam-se de que ao lhe ser retirada a possibilidade de fazerem um horário flexível, ficam sem solução em horários onde os infantários ou escolas não estão abertos, ou ao fim de semana.

Na área de Braga, conta o jornal, pelo menos mais duas militares não têm onde deixar os filhos e uma delas leva-o para o posto onde a criança fica até às 9 da manhã, horário de abertura da escola.

A Associação dos Profissionais da Guarda diz que se trata de "assédio laboral" e refere que há vários casos identificados em todo o país.

O Comando Geral da GNR justifica o despacho com a necessidade de "harmonizar os diferentes regimes de prestação de serviço em horário flexível" e garante que os militares podem "interpor requerimento que será alvo de análise e remetido para sancionamento superior".

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