Militares com formação comum para fazerem segurança dos paióis

Medidas aprovadas pelo ministro Azeredo Lopes obrigam os ramos das Forças Armadas a aprofundar políticas de atuação comum.

O Ministério da Defesa divulgou ontem o despacho assinado sexta-feira que determina um conjunto de medidas a adotar pelas Forças Armadas em matéria de segurança dos paióis.

O documento, formalmente conhecido na véspera do Presidente da República visitar hoje - na companhia do ministro Azeredo Lopes e no meio de notícias sobre o alegado desejo de Marcelo em ver aquele governante remodelado - o Centro de Análise e de Lições Aprendidas da NATO, traduz-se num acentuar da orientação política de há vários anos para que os três ramos das Forças Armadas trabalhem em conjunto.

A título de exemplo e ao nível dos recursos humanos, o despacho de Azeredo Lopes determinou "o aperfeiçoamento dos processos de seleção, certificação, formação e treino dos militares dedicados a funções de segurança", com base em "ações de formação e treino de caráter transversal".

O governante estabeleceu ainda um prazo de 60 dias para os quatro chefes militares elaborarem normas comuns sobre como deve ser manuseado e transportado o material de guerra dos e para os paióis.

As medidas aprovadas por Azeredo Lopes, que segunda-feira voltou a ser questionado no Parlamento sobre o furto de material de guerra nos paióis de Tancos, têm por base os diferentes relatórios produzidos pela Inspeção-Geral e pelos três ramos sobre a matéria depois de conhecido o caso no passado dia 28 de junho.

Note-se que o Comandante Supremo das Forças Armadas continua a insistir que "não só é importante apurar factos e eventuais responsabilidades, como apurar num tempo que seja um tempo o mais curto possível, por um lado, para o prestígio da instituição militar, e por outro lado também para a própria atuação interna da instituição militar".

O despacho ministerial abrange os procedimentos, as infraestruturas e os recursos humanos envolvidos na segurança do armamento, das munições e dos explosivos. Os quatro chefes militares - do Estado-Maior General das Forças Armadas, da Marinha, do Exército e da Força Aérea - têm ainda 90 dias para definir procedimentos comuns ao emprego dos militares na proteção dos paióis.

Também a Secretaria-Geral do Ministério da Defesa terá 180 dias para desenvolver "um sistema de informação comum para controlo efetivo de material militar sensível", em coordenação com os ramos - o qual permita saber em tempo real o que é que está em que paiol e em que condições.

Recorde-se que, na recente entrevista ao DN, Azeredo Lopes declarou se necessário, "de uma vez por todas, haver um conhecimento instantâneo, atualizado, de tudo o que está nos paióis para se evitar no futuro o que ocorreu em Tancos, em que foi definida a gravidade à luz daquilo que se conhecia no momento do furto" - e dias depois se verificou ser de "maior gravidade" quando foram conhecidos novos dados sobre os lança-foguetes anticarro.

O despacho determinou ainda a continuação dos trabalhos de concentração desse material e "a realização prioritária de obras nas várias instalações" existentes para "garantir no curto prazo" as condições adequadas. Outras medidas ao nível das infraestruturas passam por reabilitar vedações e sistemas de vídeo vigilância e melhorar as "condições de habitabilidade dos militares" envolvidos na proteção dessas instalações.