Portugal tem condições para acolher um décimo dos imigrantes do Lifeline

O ministro da Administração Interna destacou "a manifestação de solidariedade da União Europeia"

Portugal tem condições para acolher cerca de um décimo dos 230 imigrantes que estão a bordo do navio humanitário da organização não-governamnetal alemã Lifeline, disse hoje o ministro da Administração Interna.

"O número de pessoas que efetivamente virão para Portugal dependerá também do conjunto de países envolvidos. Portugal disse que tinha condições para acolher cerca de um décimo dessas pessoas sem qualquer dificuldade e de imediato", afirmou aos jornalistas Eduardo Cabrita, no final da cerimónia do 42.º aniversário do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O Governo quer simplificar o acesso a Portugal a estudantes, designadamente de países de língua portuguesa, e a imigrantes nas áreas tecnológicas

O ministro destacou "a manifestação de solidariedade da União Europeia" nos últimos dois dias, sublinhando que oito países europeus responderam ao apelo do governo de Malta para receberem os imigrantes.

O navio, operado pela organização não-governamental alemã Lifeline Mission, navega há seis dias no Mediterrâneo com 230 migrantes resgatados perto das costas da Líbia, tendo chegado ao fim da tarde ao porto maltês de La Valeta.

O ministro avançou também aos jornalistas que o Governo está neste momento a trabalhar na regulamentação da Lei de Estrangeiros, que entrou em vigor há um ano, pretendendo o executivo simplificar o acesso a Portugal a estudantes, designadamente de países de língua portuguesa, e a imigrantes nas áreas tecnológicas.

No caso dos estudantes, o governante sublinhou que as universidades e os politécnicos vão assumir a responsabilidade da aceitação dos estudantes.

Eduardo Cabrita referiu que vai ser dispensada, em muitos casos, a necessidade de entrevista para quem quer vir estudar ou trabalhar para Portugal.

O ministro disse também que outra das vertentes será o recrutamento de trabalhadores em áreas de sucesso da economia portuguesa com falta de mão-de-obra.

Sobre os imigrantes que estão ilegais em Portugal, o ministro referiu que as situações têm que ser vistas caso a caso.

O Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo de 2017 revela que o número de estrangeiros residentes em Portugal aumentou 6% no ano passado face a 2016, totalizando 421.711

"Temos vindo a apreciar de forma muito favorável a situação daqueles que estão inseridos no mercado de trabalho, que fazem descontos para a segurança social e que estão perfeitamente inseridos na sociedade portuguesa. Para esses, a nossa orientação é integrar na sociedade portugueses concedendo uma autorização de residência aos que trabalham", disse.

Na cerimónia, o SEF apresentou o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA) de 2017, que revela que o número de estrangeiros residentes em Portugal aumentou 6% em 2017 face a 2016, totalizando 421.711, tendo sido os cidadãos oriundos de Itália e França os que mais cresceram no ano passado.

Segundo o RIFA, os estrangeiros residentes em Portugal aumentaram pelo segundo ano consecutivo, ultrapassando em 2017 os 400 mil imigrantes, valor que já não se verificava desde 2013.

Para o ministro, o relatório "comprova que Portugal voltou a ser um país atrativo", depois de, entre 2010 e 2015, ter sido um país em que as pessoas saíam mais do que entravam.

Somos o país da UE que atribuiu a nacionalidade portuguesas por naturalização a um maior número de cidadãos estrangeiros que aqui residem há vários anos

Eduardo Cabrita afirmou também que Portugal é um dos países que "integra e acolhe bem".

"Somos o país da UE que atribuiu a nacionalidade portuguesas por naturalização a um maior número de cidadãos estrangeiros que aqui residem há vários anos. Só no ano passado foram 37 mil pedidos de parecer ao SEF, dos quais quase 30 mil foram favoráveis", sustentou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.