Meteorologia com limites "reduzidos" em 2014

O orçamento do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para 2014 tem limites "muito reduzidos" que estão "na linha da dificuldade incontornável", mas o seu presidente espera que seja encontrada um solução.

"Os limites que temos são muito reduzidos e estão na linha da dificuldade incontornável. Hoje em dia todos os governos, e este em particular, fazem o que se chama gestão flexível, ou seja, têm capacidade de alocar recursos de uma instituição para outra", disse à agência Lusa Jorge Miranda.

Uma "parte muito importante" das verbas do IPMA é obtida através da prestação de serviços a várias entidades, nomeadamente empresas, e da investigação, mas o restante vem do Estado.

No contexto da crise económica, o Orçamento do Estado para 2014 regista "uma variação negativa significativa" do montante proposto para o IPMA, mas Jorge Miranda espera ser possível encontrar uma solução.

"Existe um conjunto grande de obrigações atribuídas ao instituto, não existe disputa política à volta da nossa atividade, pelo contrário, temos grandes responsabilidades operacionais que têm de ser garantidas", salientou o presidente do IPMA.

"Vamos sensibilizar os decisores para a necessidade de atribuir os recursos mínimos necessários a esta atividade e, apesar dos números quase me desmentirem, vai ser encontrada solução", acrescentou.

Jorge Miranda pretende informar a tutela das consequências da eventual inexistência de recursos para alguma ação que seja necessária e esclarece que algumas consequências são diretas para o instituto, outras são para o país, para o Governo e para as populações.

E realçou que, no controlo dos stocks de pesca, da responsabilidade do IPMA, "2012 foi o ano horribilis do instituto, [pois] não se realizou qualquer das campanhas previstas porque do ponto de vista de navios, tripulação, programação, meios humanos, não havia nada que permitisse fazer uma campanha de acordo com as necessidades".

"[O ano de] 2013 já foi diferente devido a um esforço completamente hercúleo dos nossos colaboradores, investigadores, cientistas, técnicos, bolseiros, e conseguimos pôr no mar um navio, fazer mais de 130 dias de mar. Podemos dizer que, no essencial, os nossos compromissos estão cumpridos", frisou o presidente do instituto.

Existem vários compromissos internacionais, como a monitorização das características dos bivalves ou o acordo de cooperação com a Noruega, através do qual Portugal recebe um navio de investigação, o que implica uma contrapartida nacional.

Entre os projetos nacionais, Jorge Miranda apontou o novo radar na serra da Arouca, que deverá estar disponível no próximo ano e "é muitíssimo importante porque cobre toda a região norte, principalmente o aeroporto Sá Carneiro".

Também decorre o projeto de construção do novo radar da Madeira, "muito importante para o aeroporto do Funchal", e a Assembleia Legislativa dos Açores avançou uma decisão relacionada com o desenvolvimento da rede de radares meteorológicos.

O instituto é um laboratório do Estado com atuação nas áreas do clima, meteorologia, sismologia, riscos naturais, pesca, aquacultura, captura de bivalves e ou ambiente marinho.