Menos 100 mil hectares nas estatísticas por não se contar com as áreas agrícolas

Estimativa de órgão europeu é de cerca de 563 mil hectares

Os incêndios florestais de 2017 consumiram 442 mil hectares, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Este número, no entanto, fica aquém da estimativa do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), que fala em mais de 563 mil hectares. Ou seja, há uma diferença de mais de 100 mil hectares.

A TSF explica esta segunda-feira que os mais de 100 mil hectares "escondidos" na estatística do ICNF advêm do facto de o órgão não contabilizar a área ardida em zonas agrícolas. Estas áreas não foram consideradas pelo instituto nacional, enquanto o europeu, que baseia as suas medições em imagens de satélite, considera todos os tipos de terrenos queimados.

À mesma rádio, fonte do EFFIS refere que dos cerca de 563 mil hectares, 456 mil foram em mato ou floresta, um número já mais próximo dos 442 mil hectares referidos pelo ICNF.

O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, bem como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, confirmaram à TSF que "já contabilizam a área agrícola", uma mudança que se deve à publicação da Lei 76/2017 no fim de agosto. A mesma fonte diz ainda que, assim, os números estão mais "próximos" dos europeus, rondando os 570 mil hectares, existindo ainda "uma margem de erro de 10%".

No último relatório apresentado pelo ICNF, que compreende o período entre 1 de janeiro e 31 de outubro de 2017, são reportadas um total de 16981 ocorrências (3653 incêndios florestais e 13328 fogachos). No total, arderam 44 mil hectares.

Comparando ainda o ano de 2017 com os dez anos anteriores, existe uma redução de 3,6% nas ocorrências, mas um aumento de 428% de área ardida em comparação à média anual do referido período. É preciso recuar a 2003 para encontrar números parecidos com os do ano passado.

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