Mendes diz que Marcelo vai ao segundo mandato

Marques Mendes manifestou-se ontem convicto de que Marcelo Rebelo de Sousa irá recandidatar-se a um segundo mandato em Belém.


O conselheiro de Estado, no seu habitual comentário na SIC, considerou que o Presidente da República avançará para mais cinco anos em Belém em qualquer dos cenários políticos mais prováveis que resultarão das eleições legislativas de 2019.

Se houver maioria absoluta do PS, que segundo Mendes não é a situação que o Presidente mais apreciará, Marcelo avançará porque tem uma tarefa essencial a cumprir: "fazer o reequilíbrio político". Isto porque o PSD, neste cenário sairá fragilizado. Se não houver maioria absoluta dos socialistas, então afirmou o comentador político, a reeleição do Presidente é necessária "enquanto fator de estabilidade e de normalidade política".

O Presidente da República tem mantido o tabu se tenciona ou não concorrer pela segunda vez a Belém. Ainda na sexta-feira passada, dia em que celebrou o segundo aniversário na Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa, remeteu essa decisão para o verão 2020.

Sobre os próximos desafios do Presidente - que ontem andou por Oliveira do Hospital, de visita à Feira do Queijo (ver foto em cima) - , Marques Mendes elencou cinco: A Europa, sobretudo a negociação dos fundos estruturais; o crescimento económico; os incêndios florestais, que se tudo correr bem mostrará que valeu a pena Marcelo ter sido exigente com o governo; o Orçamento de Estado para 2019; e a escolha do novo rosto para a Procuradoria-Geral da República, depois do governo ter dado nota de que não quer a continuidade de Joana Marques Vidal.

Assunção com ambição "exagerada"

Sobre o congresso do CDS, Marques Mendes também frisou que Cristas não poderá repetir no país o resultado de Lisboa. Mas avisou: "Vai crescer e o crescimento será sempre feito à custa do PSD". E por isso, considerou uma "imprudência" desvalorizar a líder centrista, apesar de ter considerado "um exagero" a ideia de que o CDS poderá ser em 2019 maior do que o PSD. Até porque, sublinhou, o sucesso da estratégia de Assunção depende do PSD, que só se estiver fraco é que permitirá o crescimento do partido mais à direita.

O antigo líder social-democrata reiterou que é um erro CDS e PSD concorrerem em separado às legislativas de 2019. "Do ponto de vista nacional, isto significa fazer o jogo do PS e entregar o poder ao PS. De resto, António Costa é o único beneficiário desta estratégia".

Mendes referiu ainda que não é surpresa a escolha de Nuno Melo para cabeça de lista às europeias e que Paulo Rangel será o provável número um do PSD, A surpresa, disse, poderá vir do PS, já que em vez de Ana Catarina Mendes que tem sido falada, é "provável" que seja Carlos César, atual líder parlamentar do PS, a encabeçar a lista socialista ao Parlamento Europeu.

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