Mendes desmente ministro: negociações no BPI não recomeçaram

O ministro da Economia, Caldeira Cabral, "precipitou-se" ao anunciar o retomar de negociações entre a empresária angolana Isabel dos Santos e o CaixaBank.

A afirmação foi feita esta noite por Luís Marques Mendes, no seu habitual comentário político semanal na SIC.

Segundo o antigo líder do PSD, as negociações não recomeçaram mas "é provável" que venham a recomeçar. No seu entender, o facto, noticiado pelo Expresso, de agora o Governo angolano estar a preparar uma lei que retira direitos de voto ao BPI no BFA (Banco de Fomento Angola) "é mais uma prova de que vamos ter novas negociações entre espanhóis e angolanos".

"A ameaça desta lei é apenas isso, uma ameaça para reforçar a posição negocial de isabel dos Santos. É como quem diz: se não houver acordo, avança a lei. E Isabel dos Santos precisa dessa ameaça porque o seu poder negocial ficou diminuído", comentou.

Para Marques Mendes "todos têm muito a perder sem acordo" e "esta é a sina" das relações luso-angolanas. "É uma relação com altos e baixos, com avanços e recuos. Mas precisam um do outro e estão condenados a entender-se porque o grau de interligação entre as duas economias permite amuos mas não ruturas."

O comentador da SIC analisou também o Programa de Estabilidade, apresentado esta semana pelo Governo. É um "programa ambicioso, irrealista e vago", por exemplo quando prevê em 2017 uma consolidação orçamental de 1400 milhões de euros.

Mas, ao mesmo tempo, é um documento "habilidoso" porque "António Costa mostrou, uma vez mais, que meteu o PCP e o BE no bolso": "O PCP e o BE dizem cobras e lagartos do Tratado Orçamental. Mas depois resignam-se e engolem um documento que dá concretização ao Tratado Orçamental. Este documento tem tudo o que PCP e BE sempre criticaram: prioridade ao défice; corte na despesa; redução do número de funcionários públicos e manutenção da austeridade. E esta é a habilidade de António Costa: dá espaço ao PCP e ao BE para falarem, criticarem. Mas no momento da verdade tem-nos na mão."

Ao mesmo tempo "é um documento incómodo para PSD e CDS" porque "em matéria de redução do défice os objectivos são muito semelhantes aos do Governo anterior". Ou seja, "não é fácil criticar" e por isso "é que PSD e CDS desvalorizam este debate". "Apesar de o CDS exigir votação, percebe-se que a intenção não é a de valorizar o debate", conclui o comentador da SIC.

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