Mendes: Candidatura de Centeno é mais "um atrito" dentro da coligação

Antigo líder do PSD considera que a "provável" eleição do ministro das Finanças português para a presidência do Eurogrupo é "boa" para o próprio e para Portugal.

No seu habitual comentário na SIC, Marques Mendes considerou este domingo que a eventual eleição de Mário Centeno amanhã para a presidência do Eurogrupo representa "uma valorização do seu estatuto" e um reconhecimento do trabalho que tem efetuado. Na sua opinião, também dá "prestígio" a Portugal e algum "poder de intervenção", numa altura em que a União Europeia tem como prioridade a reforma da Zona Euro.

Marques Mendes afirmou ainda que para quem é adepto em Portugal das contas públicas em ordem, esta é uma boa notícia. "Com Centeno a presidir ao Eurogrupo, Portugal tem de dar o exemplo de disciplina orçamental", disse. Mas, acrescentou, traz alguns "amargos de boca" à coligação governamental. Isto porque os parceiros de geringonça, PCP e BE, não acham graça a esta mudança. "É mais um atrito dentro da coligação", já que os dois partidos são contra o euro e assim o veem passar para o lado do "inimigo".

O antigo líder do PSD lembrou também que com a eleição de Centeno para a presidência do Eurogrupo acaba a desculpa de Bruxelas e da Europa.

Mendes comentou ainda o conflito do Governo com o Bloco de Esquerdo por causa da taxa sobre as energias renováveis, considerando que o Executivo "meteu o pé na argola" ao dar o dito por não dito. O comentador político defendeu que a proposta do BE não tem razão de ser e teria duas consequências graves para o interesse público: iria desencadear pedidos de indemnização ao Estado por parte dos investidores; e seria mais uma medida contra a atração do investimento estrangeiro.

Mas criticou a "cambalhota" do Governo, que deu o dito por não dito ao BE. E a explicação que encontrou para a trapalhada foi a de falta de coordenação dentro do próprio executivo.

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