Medina quer 20 mil casas a renda acessível para a classe média a longo prazo

Não é uma promessa para um próximo mandato - para os próximos quatro anos, a meta fica nas 6000 casas - mas foi enunciado hoje como um objetivo a longo prazo por Fernando Medina.

O atual presidente da câmara de Lisboa e candidato socialista à autarquia da capital apontou para os 20 mil fogos como um número capaz de alterar a atual situação da habitação na cidade, dando à autarquia o poder de funcionar como uma "entidade reguladora" nos preços do arrendamento.

O número não é casual - é um valor semelhante ao do parque habitacional social da autarquia. "Temos que fazer agora para a classe média aquilo que fizemos para a habitação social", defendeu Fernando Medina, que falava hoje num debate na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, no pólo universitário da Ajuda, no âmbito de uma ação de campanha para as próximas autárquicas. Este seria um número, acrescentou, capaz de garantir a "promoção da habitação pública em escala e quantidade suficiente para as classes médias" de forma a alcançar "grande impacto" e "condicionar os próprios preços de mercado". Isto numa área - a da promoção da habitação para a classe média - onde "não tem havido política pública nenhuma".

Em causa estão rendas entre os 200 e os 400 euros, os valores previstos no programa Renda Acessível, que tem como meta para os próximos quatros anos a disponibilização de seis mil casas a preços controlados.

Medina aproveitou também para criticar a solução proposta pelo Bloco de Esquerda, que avançou com uma proposta de 7500 casas a preços acessíveis, em quatro anos, num programa financiado exclusivamente por fundos públicos. O candidato socialista devolve a acusação de que está a pôr em prática uma Parceria-Público-Privada (dado que o programa envolve privados) e responde que o programa do BE é uma "ultra PPP- Plano só Para o Papel". "Não é realista. Se vamos para um modelo em que dependemos de financiamento público e construção pública vai demorar muito mais tempo", defendeu o autarca.

A habitação foi o tema escolhido por Fernando Medina para o primeiro de cinco dias de campanha temáticos. Durante a manhã, o candidato esteve no bairro Padre Cruz, em Carnide, para onde está prevista a construção de 500 novos fogos, que vão substituir as casas de alvenaria que ali ainda existem, datadas da primeira fase de construção do bairro, nos anos 50. A semana passada foram entregues as primeiras chaves aos moradores, esta semana o candidato socialista foi visitar algumas das habitações daquele que é o "maior bairro de habitação municipal da Península Ibérica". A manhã de campanha incluiu também uma passagem pelo Bairro da Boavista, na freguesia de Benfica (já em pleno Monsanto), também em processo de requalificação de 500 habitações, num investimento conjunto de 70 milhões de euros.

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