"Medina parece mais um advogado do governo do que de Lisboa"

CDS estranha a "naturalidade" com que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa reagiu à saída do Infarmed da capital

O CDS acusa o presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina, de ter saído em defesa da "enorme trapalhada do governo" no caso do Infarmed, em vez de o fazer pela cidade. "Medina parece mais um advogado do governo do que de Lisboa", diz ao DN o vereador centrista João Gonçalves Pereira, acrescentando que o CDS não pode associar-se à posição assumida pela autarquia lisboeta, que na segunda-feira emitiu um comunicado oficial, afastando qualquer objeção ao anúncio do executivo da transferência do Infarmed para o Porto.

A posição da câmara da capital tinha sido questionada pela presidente da instituição, Maria do Céu Machado, que em entrevista ao Público se afirmou "espantada" por a autarquia não ter problemas em perder a sede do Infarmed. Na sequência, a câmara veio afirmar que "Lisboa não pode ser contra medidas de desconcentração ou descentralização de serviços".

João Gonçalves Pereira, que integra aquele que é agora o maior grupo da oposição no executivo camarário, diz que o CDS é favorável à desconcentração de serviços - desde que feita "com diálogo" com todos os intervenientes. Mas acrescenta que este caso em particular é uma "enorme trapalhada de avanços e recuos", um processo que "não foi discutido, nem sequer com os trabalhadores" do Infarmed. Ainda assim, aponta, "o presidente da câmara assumiu a saída do Infarmed com uma enorme naturalidade".

BE não vê "nenhum problema"

Do outro lado do espectro político, Ricardo Robles, do BE, também tece críticas ao executivo: "Há aqui uma precipitação que não está bem explicada. As decisões têm de ter racionalidade e está por explicar em que é que isto beneficia a saúde pública. Por aí é que devia ter começado a discussão. O porquê da decisão não foi explicado." Mas o vereador bloquista diz também que "é natural que possam existir decisões deste género" - "Não vemos nenhum problema na descentralização de serviços para outras zonas do país." O DN tentou ontem contactar os dois vereadores comunistas na câmara, sem sucesso. Mas o PCP já veio defender que a descentralização do país "não se faz com medidas avulsas".

Anúncio defrauda o Porto

Já o PSD esteve ontem reunido com o Conselho Diretivo do Infarmed. À saída, Miguel Santos, vice--presidente da bancada parlamentar social-democrata, acusou o governo de defraudar as expectativas da cidade do Porto com o anúncio da transferência do Infarmed.

"Este anúncio do ministro da Saúde e do primeiro-ministro é um engano para o país, para o Norte do país, para a cidade do Porto. Alguém acordou dia e achou que - usando uma expressão popular - seria uma boa "malha" política dizer que o Infarmed ia para o Porto", afirmou, citado pela Lusa.

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