Medidas não põem em causa a dignidade humana

O presidente do Instituto do Envelhecimento alertou hoje para a necessidade de haver diferenciação entre os utentes dos lares de idosos, bem como atividades exteriores, para além de formação dos profissionais e o controlo do idadismo.

Um alerta deixado quando o Governo se prepara para anunciar que vai aumentar em cerca de 10 mil as vagas nos lares de idosos, passando de 60 para 120 o número de residentes em cada instituição e subindo o número de pessoas por quarto.

Contactado pela Agência Lusa, Manuel Villaverde Cabral negou que estas medidas possam pôr em causa a dignidade humana de quem está institucionalizado e defendeu que o envelhecimento da população portuguesa exige mais lugares nos lares.

Apontou que a dimensão dos lares e das instituições para idosos poderá não ser em si um problema desde que sejam resolvidas outras questões, nomeadamente a diferenciação entre quem é institucionalizado, já que não têm todos as mesmas necessidades e/ou os mesmos problemas.

"Eu vi em França instalações ótimas com muitas pessoas. Não é a dimensão em si, mas é a diferenciação. Não tratar as pessoas como se estivessem todas ali à espera de morrer", defendeu Villaverde Cabral.

Lembrou, por outro lado, a necessidade de formação entre quem trabalha com os mais idosos, salientando que a maior parte desses profissionais não tem a formação necessária para lidar com as pessoas mais idosas, o que leva a que aconteçam comportamentos que vão desde o tratamento ríspido ao paternalismo ou infantilização.

Defendeu também a existência de atividades exteriores, com cada lar a ter um programa específico concebido por profissionais, criticando que na maior parta das vezes os idosos estejam em salas onde mal conseguem ver televisão.

Apontou ainda a necessidade de controlar o idadismo, ou seja, o comportamento discriminatório para com as pessoas mais velhas.

Villaverde Cabral admitiu que as medidas do Governo sejam para flexibilizar as regras das instituições públicas e privadas e disse que "evidentemente que não é bom" se isso se traduzir em "ter pessoas metidas em cima umas das outras".

As medidas que o ministro da Solidariedade e Segurança Social vai anunciar hoje em Braga passam, por um lado, por maximizar a capacidade instalada, permitindo que os quartos individuais possam ser usados como quartos duplos, desde que a dimensão do quarto o permita.

Por outro lado, a capacidade máxima da estrutura residencial dos lares de idosos licenciados pela Segurança Social poderá passar de 60 residentes para 120, desde que em unidades funcionais distintas.

Com estas duas alterações em simultâneo, o Governo prevê conseguir um aumento potencial de cerca de 20 por cento, que se poderá traduzir em 10 mil vagas. Em média, cada estrutura existente terá cerca de sete novas vagas.

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