Medicina mantém vagas apesar de faltas para especialidades

50 838 vagas abertas, com Medicina a manter as 1517. Ministro insiste que não devem contar com ele para cortes na área

A Ordem dos Médicos (OM) e a própria Associação de Estudantes de Medicina vêm insistindo na questão há algum tempo. Mas ainda não será este ano letivo que as vagas desta área irão baixar. Na 1.ª fase de acesso, cujo concurso arranca esta quarta-feira com um total de 50 838 lugares a concurso, Medicina mantém exatamente as mesmas 1517 vagas iniciais do ano passado. E se depender do atual ministro do Ensino Superior, a situação será esta até pelo menos 2019.

Em entrevista ao DN Manuel Heitor repete o aviso que já tinha deixado no passado: "Não contem comigo para reduzir vagas".

Consulte a lista completa de vagas ao Ensino Superior (Nacional)

Lista de vagas do concurso local

Descarregue a lista completa (ficheiro Excel)

Em relação à Medicina, face ao problema das formações especializadas, que a OM considera terem já atingido - e superado - o limite da capacidade, o ministro reconhece ser necessário perceber o "contexto específico", e refere uma orientação "no sentido da qualidade" da formação especializada dos futuros médicos, "em estreita colaboração com o Ministério da Saúde". Nomeadamente através da aposta nos "centros académicos clínicos". No entanto, insiste também na necessidade de "desacoplar a formação do emprego", considerando não existir "obrigação nenhuma de que todos os graduados em medicina tenham emprego garantido".

Para Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, "não é surpresa" a manutenção das vagas de Medicina por mais um ano. No entanto, insiste, a redução do numerus clausus continua a ser uma necessidade urgente: "Já devia ter sido feito este ano", defende ao DN. O que está a acontecer no sistema global em Portugal é que as as nossas capacidades formativas pós graduadas estão completamente desreguladas. Temos no sistema 10 mil internos e 17 mil especialistas [que podem dar a formação]. "É uma diferença que não existe em mais qualquer lugar nenhum do mundo".

Aos "1800 formados em Portugal", o bastonário junta cerca de "400 que vêm de fora, uma centena dos quais estrangeiros" e ainda médicos que "repetem a especialidade no ano a seguir".

Um problema que reconhece não ser "exclusivamente nosso", com maior expressão em países como "Espanha e Itália" - o que leva a que diplomados estrangeiros encarem Portugal como "uma possibilidade" para as suas formações - mas que não deixa de implicar medidas urgentes.

"Portugal tem a sua capacidade no limite. Neste momento, o número de vagas para as especialidades médicas ronda as 1760, é o maior mapa de sempre. Mas mesmo assim muitos ficam de fora", resume, defendendo que a especialização dos médicos é "cada vez mais" uma necessidade do país. "Hoje em dia, do que os cidadãos precisam não é de medicina geral: é de médicos de família, de especialistas em urologia...hoje em dia a medicina é cada vez mais tecnológica e cada vez mais dirigida para determinado tipo de patologias. Esperemos que haja bom senso, por parte dos ministros do Ensino superior e da Saúde, para chegarmos a uma solução", finaliza.

Retoma continua

No que respeita ao quadro geral da 1.ª fase de acesso ao ensino superior, a nota de destaque é mesmo a continuação do aumento do número de vagas, iniciado no ano passado após um ciclo de quebra.

Neste ano letivo, as universidades e politécnicos públicos levarão a concurso, respetivamente, 28424 e 22 414 lugares, mantendo-se os rácios (55,9% e 44,1%) entre os dois subsistemas de ensino superior. Face a 2016, registam-se mais 150 vagas a concurso.

Um aumento que se concentra fora das grandes áreas metropolitanas, que até perdem vagas (ver caixa) e que se deve em grande parte à aposta, promovida pelo governo, de formações na área da literacia digital e de especialistas em determinadas áreas técnicas ligadas à Medicina.

"Para além da aposta na promoção de competências digitais, foi identificada ainda pela Direção -Geral da Saúde uma elevada carência específica de profissionais especialistas em física médica e de peritos qualificados em proteção radiológica, o que provoca óbvias limitações atuais e futuras ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde", refere a Direção-Geral do Ensino Superior na nota que acompanha as listas das vagas, tendo o ministro Manuel Heitor confirmado ao DN um aumento "da ordem dos 20%" nas formações de física médica.

Por grandes áreas, a Engenharia e Técnicas Afins, com 9063 vagas, representa 17,6% dos cursos, seguida das Ciências Empresariais (7598 vagas, 14, 8% do total) e da Saúde (6737 vagas, 13,1%) do total.

Esta quarta-feira arranca a segunda fase dos exames do secundário, que servirão de provas de ingresso na fase correspondente de acesso ao superior.

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