Marques Mendes diz que Presidente não será contrapoder

Conselheiro de Estado diz que Marcelo está a ajudar a reconstruir emocionalmente o país e que Costa está "fragilizado".

Marques Mendes disse este domingo, na SIC, que o Presidente da República não passará a ser um contrapoder ao Governo depois da sua declaração ao país sobre os incêndios. O conselheiro de Estado garantiu que Marcelo Rebelo de Sousa continuará a ser o "fiel da balança", mas mostrou que é capaz de fazer "ruturas".

Mendes considerou que o Chefe do Estado surpreendeu tudo e todos, uniu e reconfortou o país, interpretou o sentimento nacional perante a tragédia e obrigou o governo a um recuo que já tardava, no que diz respeito à demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa. "Convém que o Governo não se esqueça no futuro desta faceta presidencial", disse o comentador político. De Marcelo disse ainda que está dar uma contribuição notável para a reconstrução emocional do país, que está numa crise de confiança no Estado, nas instituições e na Proteção Civil.

Que este foi o momento mais crítico da vida política de António Costa, Marques Mendes não tem dúvidas. Até porque, argumentou, o primeiro-ministro "falhou", não mostrou capacidade de liderança. de direção e de comando. Primeiro porque tem o "hábito de desvalorizar as questões"; depois porque não levou a sério os avisos do Presidente desde Pedrógão; e finalmente porque revelou "insensibilidade social".

Mas estará António Costa acabado politicamente, terá posto em risco a maioria absoluta com que sonhava? Mendes entende que "está fragilizado", vai demorar tempo a recuperar e dificilmente o conseguirá na totalidade. Ainda assim, sustentou, tem condições e tempo para dar a volta.

Marques Mendes desvalorizou a moção de censura do CDS, que será discutida e votada amanhã no Parlamento, porque a comunicação ao país do Presidente da República matou o seu efeito. Mas também disse que não será um meio de reforçar o Governo. Quanto aos novos ministros, o antigo líder do PSD considerou que se trata de uma "remodelação frouxinha", mas as medidas aprovadas Conselho de Ministros são "positivas e na direção certa"

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