Marisa Matias diz que subida da extrema-direita é má notícia para a Europa

"Não é uma boa notícia quando apesar de tudo a extrema-direita ganha lugares", disse a eurodeputada

A eurodeputada Marisa Matias considerou hoje que os resultados das eleições na Holanda confirmam a crise dos sistemas políticos, sublinhou o "trambolhão" dos trabalhistas e disse que a subida da extrema-direita é uma má notícia.

Para a eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda, os resultados das eleições de quarta-feira na Holanda, que ditaram a vitória do partido VVD liderado pelo primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, "confirma o que vem sendo a tendência em vários países, com a crise do sistema político e dos partidos tradicionais que têm dominado a cena política europeia".

"Há a vitória dos liberais e há um trambolhão da social-democracia, que paga um preço enorme por ter governado com os liberais de direita, e também dos próprios liberais de direita, que diminuem os votos e os lugares", acrescentou, em declarações à Lusa.

O partido VVD liderado pelo primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, venceu as eleições de quarta-feira, ao conquistar 33 assentos, com 94,3% dos votos contados, abrindo-se a porta à formação de um governo de coligação de centro-direita.

De acordo com a agência de notícias Efe, os lugares conquistados pelo Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD, de direita), a par com os 19 obtidos tanto pelos democratas-cristãos como pelo partido Democracia D66, dariam lugar a um Executivo em minoria com 71 apoios.

Para superar os 76 deputados que proporcionam a maioria absoluta na Câmara Baixa, com 150 membros, Mark Rutte poderá recorrer aos nove lugares dos trabalhistas (PvdA), que foram parceiros do Governo na anterior legislatura. Contudo, falta saber se o PvdA está disponível para o efeito, depois de quatro anos e meio de aliança e a perda de 29 assentos nestas eleições.

Apesar de o Partido da Liberdade (PVV, de extrema-direita) ter conquistado 20 assentos nestas eleições - contrariando as sondagens que a apontavam como a força mais votada -, a maioria das formações políticas manifestou durante a campanha eleitoral que não pretendia aliar-se com Geert Wilders.

"Vai ser difícil formar Governo, mas já era previsível", afirmou Marisa Matias, frisando: "é uma boa notícia Wilders [candidato da extrema direita] não ter ganhado as eleições, mas ficou em segundo lugar. Não é uma boa notícia quando apesar de tudo a extrema-direita ganha lugares".

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