Marisa já fala em espaço ganho e recusa ser Presidente de "vista grossa"

Candidata apoiada pelo BE sublinha que a sua candidatura "corre cada vez mais" e avisa que em Belém não passará cheques em branco a nenhum Governo

Marisa Matias está ciente de que o tempo corre a seu favor e, animada pelas sondagens, já sublinha o caminho que a sua candidatura está a fazer. Sem se referir às projeções, como a da Universidade Católica para o DN, JN, RTP e Antena 1, que já a colocam a par de Maria de Belém nas intenções de voto dos portugueses, a candidata à Presidência da República afirmou: "O espaço que esta candidatura ganhou não nos foi dado, foi arrancado a ferros pela força das convicções, pelas ideias, pelas palavras e pelos atos."

Num comício em Almada, Marisa enfatizou que a candidatura "corre cada vez mais", quase como quem prognostica um resultado positivo no sufrágio que elegerá o próximo inquilino de Belém.

Antecedida por Luís Filipe Pereira, António Chora, Joana Mortágua, Alfredo Barroso e Mariana Aiveca, e com Catarina Martins na primeira fila, a eurodeputada voltou a puxar da Constituição para frisar que os portugueses podem contar com uma defesa intransigente dos seus direitos caso venha a suceder a Cavaco Silva e debruçou-se sobre o tema que está a marcar o dia: o esboço do Orçamento do Estado que deverá seguir esta sexta-feira para apreciação da Comissão Europeia, que aponta para um défice de 2,6% este ano.

O documento, realçou, "pode ser o primeiro passo na direção" que defende para o país, isto é, no caminho da recuperação de rendimentos e reposição de direitos, tendo feito um aviso à navegação: se for eleita chefe de Estado não exigirá menos que essas premissas. "Não serei um Presidente passador, não estarei disponível para fazer vista grossa" no que respeita aos direitos das pessoas", alertou. "Seja qual for a maioria" no poder.

No entanto, e com baterias apontadas a Bruxelas e Berlim, advertiu que tanto a Assembleia da República como o Governo chefiado por António Costa "poderão contar" com a sua colaboração: "Contem comigo. E unam esforços para dizer a quem se tenha esquecido que Portugal é uma República soberana e que em Portugal mandam aqueles que os portugueses elegeram." Em suma, e para bom entendedor meia palavra basta, a variável austeridade não entra na sua equação.

Alfredo Barroso, apoios e fantasmas da troika

Quem também disse presente no comício do penúltimo dia de campanha, onde cerca de 300 pessoas coloriram a Academia Almadense, foi Alfredo Barroso, antigo militante socialista e ex-chefe da Casa Civil de Mário Soares. Um apoio que se começa a tornar habitual entre as hostes bloquistas - já apoiara Marisa Matias nas europeias de 2014 e próprio BE nas últimas legislativas.

Denunciando os "fantasmas da troika que continuam a pairar sobre os portugueses", Barroso criticou "as pressões para que sejam os contribuintes a pagar os desvarios e desmandos da banca" - apontou os exemplos do BES e do Banif - e asseverou contra o "governo invisível, ilegítimo e antidemocrático dos plutocratas e dos tecnocratas que os servem".

"É preciso mudar de vida. É preciso que nos libertemos deste modelo de sociedade dominada pelos ricos e poderosos", acrescentou o fundador do PS, para quem Marisa Matias é o rosto do combate a essa "lógica infernal".

De caminho, Barroso sublinhou os apoios que a candidata soma e elencou: a deputada Helena Roseta (eleita pelo PS), a ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente, o escultor João Cutileiro e o músico António Pinho Vargas.

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